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Bem-vindos ao Aeroporto Internacional Maria da Penha

No mês da mulher, o Galeão rende homenagem à luta pelos direitos femininos


Maria da Penha: ela será homenageada durante o mês de março no Galeão. (Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Ainda vai chegar um tempo no qual a Humanidade estudará, com curiosidade e espanto, que, em pleno século 21, havia uma data destinada à luta pela igualdade de direitos femininos na sociedade. Mas enquanto esse futuro mais justo não vem, o Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março, é celebrado de diversas formas. Uma das ações mais criativas acontecerá no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, que, por dez dias, ganhará o nome da cearense Maria da Penha.

“Pela minha história e minha luta, dou nome à principal lei brasileira contra a violência doméstica. E, neste mês de março, emprestei meu nome ao RioGaleão”, diz ela, em uma gravação que será reproduzida entre as chegadas e partidas do aeroporto, oficialmente batizado de Tom Jobim. Os pilotos da GOL Linhas Aéreas também adotarão em seus avisos de pousos e decolagens o nome “Aeroporto Maria da Penha” temporariamente.

Maria Penha é um ícone quando se fala na luta da violência contra a mulher. Ela abraçou nosso projeto que tem sido a causa dela.

Paulo Castro
Agência A3

Além de homenagear Maria da Penha, a campanha, idealizada pela agência A3, procura dar visibilidade às questões femininas em um espaço de grande circulação. E ainda há outro apelo importante: nenhum aeroporto brasileiro foi batizado com nome de mulher. O único mais próximo disso é o Santa Genoveva, em Goiânia.

Paulo Castro, vice-presidente de criação da Agência 3 entende que, além de visibilidade, a campanha vai despertar discussão sobre o doloroso tema.

– Maria Penha é um ícone quando se fala na luta da violência contra a mulher. Ela abraçou nosso projeto que tem sido a causa dela. Não podemos mudar a legislação, mas como agentes de comunicação, temos o dever social de espalhar campanhas como essas, disse o publicitário.

Uma das peças da campanha que estará no Galeão em março

Outra voz icônica nas chegadas e partidas também será ouvida: Iris Lettieri, locutora oficial do aeroporto, vai emprestar seu timbre aveludado à campanha, que se estende também à Rádio Galeão. O programa “Agora é que são elas” será apresentado uma hora por dia, com o repertório de compositoras e cantoras da Música Popular Brasileira, até o final do mês.

“Você está ouvindo a rádio Aeroporto Maria da Penha. Em março, a RioGaleão emprestou o seu nome para trocar o destino de muitas mulheres. E, para provar que aqui elas têm voz, a nossa programação vai ser toda delas”, diz Iris, na chamada da programação.

Na área interna do aeroporto estarão expostos painéis, banners e outras peças da campanha. A alteração do nome também incluirá a troca do letreiro da estação de BRT.

Apesar de a Lei Maria da Penha completar 11 anos em 2017, aumentando o rigor das punições às agressões contra a mulher ocorridas no ambiente doméstico ou familiar, as estatísticas ainda refletem a gravidade do problema. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmam que a cada 1h30 uma mulher é assassinada por um homem, no Brasil, simplesmente por ser mulher – o que totaliza 13 casos de feminicídio por dia.

De acordo com o “Panorama da Violência contra as Mulheres no Brasil”, uma compilação de indicadores nacionais e estaduais realizada pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Instituto de Pesquisa DataSenado, mais de 4.800 mulheres foram assassinadas em 2014 em todo o país. O estudo leva em conta o número de homicídios de mulheres registrado em 2014 no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Para cada 100 mil mulheres no país, a taxa foi de 4,6% de assassinatos. Ainda, durante o carnaval, na última semana, o Rio registrou uma agressão a mulheres a cada quatro minutos, segundo dados da Polícia Militar.


Escrito por Martha Esteves

Martha Esteves

Martha Esteves é jornalista esportiva há 33 anos. Começou na revista Placar, trabalhou no Jornal do Brasil e foi subeditora do caderno de esportes de O Dia por 20 anos. Também trabalhou como freelancer para a TV Globo e as revistas Claudia, Caras, Playboy, Quatro Rodas e Marie Claire. Ela joga nas 11.

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