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Águas sobem em Paris

Cidade coloca em prática plano de crise para evitar catástrofe como a de 1910


Nível das águas já subiu mais de seis metros e começa a ameaçar os sistemas de transporte
Nível das águas já subiu mais de seis metros e começa a ameaçar os sistemas de transporte

Os jornais de hoje estampam o nível crescente do rio Sena e como a cidade esta colocando em prática o plano de gerenciamento de crises para o risco de inundação da cidade.

Chovendo sem parar desde a semana passada, a crise começou no sábado, 28 de maio, quando um raio caiu em pleno Parque Monceau, no centro de Paris, ferindo 8 crianças, duas gravemente, que comemoravam um aniversário fazendo um piquenique.

De lá para cá, as águas continuam rolando e a cidade implementa as etapas do plano de crise: parques fechados, Museu do Louvre, Museu d’Orsay, Biblioteca François Mitterrand… todos fechados e parte dos acervos levados para áreas protegidas. Tudo isso me faz lembrar um ditado que ouvia muito na infância: gato escaldado tem medo de água fria.

Em janeiro de 1910, a cidade viveu a grande cheia do Sena. Foi a mais importante depois de uma outra em 1624! Mesmo sem fazer um grande número de vítimas, a cheia do Sena trouxe enorme prejuízo para a cidade e para a região. Na época, o rio atingiu o nível máximo de 8,62 metros e foram necessários mais de 30 dias para que ele voltasse aos níveis considerados normais.

A expectativa é que essa noite o rio atinja a altura de 6,50 metros. A partir daí os problemas se agravam. O sistema de transporte público na grande Paris soma 322 Km de túneis e estima-se que se as águas entrarem no metrô, 140 km ficarão submersos. Cerca de 400 pontos de possível entrada de água foram identificados e já há um plano de contenção: barreiras em concreto estão prontas para serem colocadas e impedir o caos total nos transportes.

Estar preparado para uma crise é algo que empresas, organizações e governos devem ter sempre em mente. Aqui, na França, o plano posto em prática leva em consideração uma enchente que ocorreu em 1910. Ou seja, a municipalidade utiliza nos seus cálculos um período de recorrência de mais de 100 anos. Impossível não fazer a relação com o Rio de Janeiro, com as chuvas, com as ondas, as marés…. Será que não poderíamos estar mais bem preparados? Vamos parar de culpar a natureza.

Com greves em andamento, impactando uma parte do transporte, o risco de atentados e agora, as enchentes por todo o pais, ja tem gente questionando se a França tem condições de sediar o Campeonato Europeu de Futebol, conhecido com o Euro 2016, que começa no próximo dia 10 de junho.


Escrito por Marlene Oliveira

Marlene Oliveira

Jornalista, com Master pelo IAG /PUC e Coppead/UFRJ, é profissional de comunicação corporativa, trabalhando para empresas globais. Vive e trabalha em Paris há nove anos.

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