Compartilhar, , Google Plus, Linkedin, Whatsapp,

Imprimir

Publicado em

Chegou a hora da virada

Evento de três dias reúne cerca de 300 atrações gratuitas em prol de um mundo mais sustentável

Ioga, música e dança estão entre as atividades que vão acontecer no Parque Lage. Foto Divulgação
Ioga, música e dança estão entre as atividades que vão acontecer no Parque Lage. Foto: Divulgação

Quando o assunto é sustentabilidade, o mínimo que se espera é que chegue a hora da virada, para que cada vez mais pessoas se conscientizem de que é preciso mudar hábitos em prol de um equilíbrio maior no meio ambiente. Pois no Rio está chegando a hora. Ou melhor, estão chegando as horas – cerca de 72 -, já que serão três dias de programação na primeira Virada Sustentável da cidade. É que o maior festival brasileiro de arte e cultura da sustentabilidade vai ocupá-la de 9 a 11 de junho, fechando a Semana Nacional do Meio Ambiente, com cerca de 300 atrações gratuitas para toda a família, nos mais variados espaços públicos e equipamentos culturais e universidades. Os principais cenários são a Praça Mauá, o Parque Lage e o Parque e Madureira.

Esse movimento surgiu quando percebemos que as coisas ligadas à sustentabilidade eram sempre ‘cabeçudas’, nada lúdicas e alegres. Os assuntos pareciam chatos para as pessoas: saia do banho, recicle seu lixo. Então pensamos: por que não fazer um festival para as pessoas terem tesão pelo tema?

Mariana Amaral
Publicitária

“O Rio é a sétima cidade a ganhar uma virada dessas, que começou em São Paulo, há sete anos, e já chegou a lugares como Manaus, Salvador e Porto Alegre. Esse movimento surgiu quando percebemos que as coisas ligadas à sustentabilidade eram sempre ‘cabeçudas’, nada lúdicas e alegres. Os assuntos pareciam chatos para as pessoas: saia do banho, recicle seu lixo. Então pensamos: por que não fazer um festival para as pessoas terem tesão pelo tema? E nos inspiramos na virada cultural paulista. No começo era uma coisa menor, mas mesmo assim reuniu 500 participantes”, relembra a publicitária Mariana Amaral, uma das idealizadoras da Virada Sustentável, que há vinte anos atua no mercado de eventos. “Somos uma plataforma onde as boas coisas se encontram. Iniciativas de movimentos, poderes público e privado…são mais de 80 coletivos, escoteiros, Greenpeace. Todo mundo que faz coisas em prol de transformações. Tem muitos programas que se complementam. A equipe é muito engajada. Gente que vê o copo com a metade cheia, e não vazia. E o bonito é que tem atividades para todo mundo. Desde a programação incrível do Favela Hub, com mais de 40 atrações, até algo mais elitizado como a balada matinal no Parque Lage. A sustentabilidade tem que chegar para todos, para que todos possam usufruir dela”.

E por que não curtir tudo junto e misturado? No caso do Favela Hub – um polo de inovação social no Complexo de favelas Pavão Pavãozinho Cantagalo, em Copacabana, Zona Sul da cidade – a ideia é fomentar o ambiente criativo e o empreendedorismo de comunidade, influenciando políticas públicas e capacitando jovens locais para uma atuação mais produtiva na economia e na sociedade. Entre as atrações, uma batalha de MCs (no caso, uma batalha de rimas temáticas sobre o tema “igualdade social”), uma feira de empreendedores (com exposição e venda de produtos de empreendedores locais, como artesanato, arte, roupa, bijuteria, comidas etc) e a oficina de percussão Funk Verde (que explora possibilidades sonoras utilizando instrumentos musicais fabricados com resíduos retirados do lixo da Rocinha).

O projeto Grael também vai participar do evento. Foto Divulgação
O projeto Grael também vai participar do evento. Foto: Divulgação

Já no Parque Lage, um dos destaques da programação é a festa matinal Wake (ou, em bom português, “acordar”, remetendo também a “awake”, que significa “despertar”). Desde cedo, vai ter música, dança, ioga, meditação e gastronomia saudável, com o propósito de dar um novo sentido à lógica urbana e proporcionar um novo olhar das pessoas para si mesmas e seu dia a dia. A festa é feita inteiramente de doações, a fim de estimular o protagonismo de cada um na construção de um futuro coletivo diferente.

O evento conta com o apoio institucional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – Brasil, e as atividades são baseadas nos temas apontados nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, tais como Igualdade de Gênero, Erradicação da Pobreza, Boa Saúde e Bem-Estar, Cidades e Comunidades Sustentáveis, Consumo e Produção Responsáveis e Água Limpa e Saneamento. “Temos uma parceria com a ONU cujo objetivo é chamar a atenção para esses objetivos, fazendo com que as pessoas olhem para eles. Já na noite de quinta-feira, dia 8, num evento fechado, vamos ter uma projeção no Cristo Redentor que poderá ser vista por todo mundo. O Cristo vai virar árvore (pelo meio ambiente), arco-íris (pela diversidade), peixes (mar), vai ter seu coração pulsando e ganhar uma inscrição da palavra paz… Todas as projeções são focadas nos 17 ODSs”, conta Mariana.

Já a sexta-feira, dia 9, é mais focada em painéis de conteúdo, como alimentação (ODS 1, fome zero), igualdade de gênero, águas… Neste dia, o endereço principal da virada é o Museu de Arte do Rio (MAR). Também na sexta, a Virada vai oferecer um jantar para 72 pessoas em situação de vulnerabilidade social no Refettorio Gastromotiva. E no domingo, o destaque é o Parque de Madureira, com atrações musicais, peças de teatro, oficinas e performances. Na Praça Mauá, a banda zen Awaken abre o palco e recebe o guru indiano Atmaji e o monge tailandês Burin, seguidos da apresentação de Corais de Moradores de Rua e do show “Som da Cidade”, composto por artistas instrumentais de rua. O MAR abriga o “Cine Virada”, com filmes de temática indígena. “O encerramento da Virada Sustentável será com uma grande aula e um baile charme no Parque de Madureira”, conta Renato Saraiva, advogado, produtor e gestor cultural que, com o know how de trabalhos em festivais como o panorama, de dança, e a Flip, de livros, é o coordenador-geral da primeira edição da Virada Sustentável no Rio de Janeiro. “O desafio é maior do que os outros festivais porque este vai além. É um movimento. Abarca atividades dentro desse grande guarda-chuva”, conclui.

Escrito por Paula Autran e Reneé Rocha

Paula Autran e Reneé Rocha

Paula Autran e Reneé Rocha se completam. No trabalho e na vida. Juntos, têm umas quatro décadas de jornalismo. Ela, no texto, trabalhou no Globo por 17 anos, depois de passar por Jornal do Brasil, O Dia e Revista Veja, sempre cobrindo a cidade do Rio. Ele, nas imagens (paradas ou em movimento), há 20 anos bate ponto no Globo. O melhor desta parceria nasceu em novembro passado. Chama-se Pedro, e veio fazer par com a irmã, Maria.

49 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *