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Duas décadas e meia de guerrilha ambiental no país

Greenpeace Brasil

Ativistas do Greenpeace em protesto contra Angra III. Foto de Ivo Gonzalez/ Greenpeace
No dia anterior ao 25º aniversário do desastre nuclear de Tchernobyl, ativistas do Greenpeace pulverizaram fumaça laranja para simular um acidente nuclear em frente ao BNDES, um dos financiadores de Angra III. (Foto de Ivo Gonzalez/ Greenpeace)

A bordo do famoso navio Rainbow Warrior, ativistas que protestavam contra o programa de energia nuclear brasileiro fixaram 800 cruzes no pátio da Usina de Angra dos Reis – uma ação que serviria para lembrar as mortes do desastre de Tchernobyl. Isso foi há 25 anos. A ação marcou o desembarque no Brasil do Greenpeace, organização que nasceu em 1971 no Canadá, onde um grupo de ativistas, jornalistas e hippies zarparam em um velho barco de pesca do porto de Vancouver em direção ao Ártico. A missão era protestar contra testes nucleares dos Estados Unidos em um pequena ilha da região.

Nesta terça-feira (2 de maio), o Rainbow Warrior estará de volta ao Brasil, ancorado no Pier Mauá para marcar um quarto de século de ativismo ambiental no país. Para comemorar o aniversário, o Greenpeace vai transformar a data num dia de mobilização em defesa dos corais da Amazônia (#DefendaOsCorais), onde avançam a passos largos o projeto de exploração de petróleo por empresas estrangeiras, como a Total e a BP.

Banner no Cristo Redentor. Foto de Daniel Beltrá/ Greenpeace
Ativistas do Greenpeace fazem rappel no Cristo Redentor em sinal de protesto durante a Convenção sobre Diversidade Biológica. (Foto de Daniel Beltrá/ Greenpeace Brasil)

Ao chegar no país que abriga o pulmão do mundo, o Greenpeace contribuiu para alimentar o debate ambiental no Brasil, que ganharia fôlego total a partir daí. Aquele era um momento propício para a criação do braço brasileiro desta que é hoje a maior organização ambientalista do mundo, presente em mais de 40 países. O país estava contaminado pelo espírito da ECO-92, a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ou a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro. Comemorávamos sete anos do fim da ditadura e já havíamos passado pela primeira eleição presidencial direta após o regime militar.

Nosso lema é pensar localmente e agir globalmente. A defesa da Amazônia possibilitou ao Greenpeace Brasil ter essa experiência de pensar localmente e agir globalmente

Nilo D´Ávila
diretor de campanha do Greenpeace

Dois temas principais constavam da pauta imediata da ONG naquele momento: a campanha contra o programa nuclear e contra a exploração predatória e ilegal da madeira na Floresta Amazônica. A questão nuclear, inclusive, era um tema global da organização.

“Logo que a gente se estabeleceu com um escritório, na época na Avenida Chile, no Rio, passamos a trabalhar com os pilares da organização, ou seja, ativismo, independência política e financeira”, conta Nilo D’Ávila, diretor de campanhas do Greenpeace. “Nosso lema é pensar localmente e agir globalmente. A defesa da Amazônia possibilitou ao Greenpeace Brasil ter essa experiência de pensar localmente e agir globalmente.”

Hoje, o Greenpeace tem no Brasil uma equipe de 130 pessoas nos seus três escritórios: em São Paulo, em Brasília e em Manaus. A ONG conta com 1.500 voluntários no país. Das organizações da sociedade civil, o Greenpeace é a que tem o maior número de seguidores nas mídias sociais: três milhões.

A primeira grande vitória do Greenpeace aconteceu já no ano seguinte à sua chegada ao Brasil: em 1993, foi proibida a importação de lixo tóxico. Foram campanhas e campanhas, uma atrás da outra. O Brasil era terreno fértil. Na década de 90 também foram organizadas ações contra o uso dos gases CFC (que atacam a camada de ozônio) e contra os transgênicos. Esta última resultou na aprovação de uma lei que obrigou a rotulagem de alimentos com organismos geneticamente modificados. As campanhas pela valorização das energias renováveis, como eólica, solar e biomassa, se intensificaram.

Em defesa dos corais

Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, está na região da foz do rio Amazonas, no Amapá, para a campanha “Defenda os Corais da Amazônia. O objetivo é observar debaixo d’água, pela primeira vez, os recifes de corais.
Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, está na região da foz do rio Amazonas, no Amapá, para a campanha Defenda os Corais da Amazônia. (Foto de Marizilda Cruppe/Greenpeace Brasil)

O grande tema de hoje é pela defesa dos Corais da Amazônia, diante dos planos de perfuração da região por parte de empresas de exploração de petróleo estrangeiras, como a Total e a BP. Eventuais vazamentos poderão causar prejuízos irreparáveis no ecossistema da região, onde vivem mais de 80 comunidades quilombolas. Ao longo do litoral Norte do Brasil, os recifes e corais da Amazônia se estendem por 9,5 mil quilômetros quadrados. Neste ano, o Greenpeace documentou as primeiras imagens destes corais.

“Um dos pilares do Greenpeace é a informação e a disponibilização, principalmente, aquilo que está fora da pauta, mostrando como estas causas estão ligadas à vida das pessoas, como fazemos agora em 2017 com a questão dos corais da Foz do Amazonas. Esse assunto não estava na cabeça das pessoas, mas conseguimos um apoio de mais de 800 mil pessoas para esta causa”, explicou D’Ávila.

Ao mesmo tempo, o Greenpeace Brasil – sempre seguindo o lema pensar localmente, agir globalmente – se prepara para a próxima missão: liderar a campanha internacional Revolução Urbana. Ou seja: o debate do papel das grandes cidades mundiais no âmbito das mudanças climáticas.

Ficha

Área de atuação Meio Ambiente

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 216

Orçamento anual Não informado

Percentual doado pelo maior patrocinador Mantido por doações

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Sim

Publica prestação de contas periodicamente no site? Sim

Site http://greenpeace.org.br/

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.

Escrito por Florência Costa

Florência Costa

Jornalista freelancer, especializada em cobertura internacional e política, foi correspondente na Rússia pelo Jornal do Brasil e serviço brasileiro da rádio BBC. Em 2006 mudou-se para a Índia para ser correspondente do jornal O Globo É autora do livro “Os Indianos”.

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