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Base para um futuro melhor

Associação Marly Cury

Quarto na ONG Marly Cury. Foto de Divulgacao
Quarto na ONG Marly Cury, onde vivem crianças. A entidade tenta que elas voltem para casa. (Foto de Divulgação)

Tudo começou quando duas amigas, Maria Helena Marly Cury e Maristela Loureiro, resolveram se reunir para levar comida a um grupo de moradores de rua em Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo, no fim dos anos 1990. Conforme o número de voluntários ia aumentando, crescia também a vontade de consolidar o projeto de uma maneira mais estruturada. E foi com um pouco da ajuda de cada um que elas regularizaram a Associação Marly Cury, encontraram uma casa e conseguiram verba da Prefeitura de São Paulo – hoje cerca de R$ 86 mil por mês – para manter 20 crianças e adolescentes no abrigo, com idades entre quatro e 17 anos.

Nosso objetivo é que essas crianças voltem para a família e fiquem bem

Euza Ferreira
coordenadora do projeto

“Nosso objetivo é que essas crianças voltem para a família e fiquem bem”, explica Euza Ferreira, coordenadora do projeto. “Se isso não for possível, que elas saiam do abrigo estudando, trabalhando e com autonomia para seguir a vida de maneira independente, sem se envolver com drogas e o que possa prejudicar o futuro delas. Algumas chegam aqui com medo, mas ficam bem quando veem que a gente acolhe calorosamente – com comida, escola, brinquedos – e que elas vão ter um quarto arrumadinho e outras crianças para fazer companhia”.

Associacao Marly Cury. Foto de Divulgacao
Bicho de pelúcia de uma das crianças do abrigo. (Foto de Divulgação)

Em 2000, quando nasceu a primeira versão do abrigo, tratava-se apenas de uma casa de passagem, onde as crianças iam para tomar banho, comer e fazer atividades por algumas horas do dia. Três anos depois, veio um baque: os moradores da região fizeram um abaixo-assinado contra o abrigo, reclamando do barulho e do perigo que aquelas crianças poderiam trazer para a vizinhança. Mas Maria Helena e Maristela conseguiram outra casa, mais verba, mais funcionários e transformaram o projeto em um lar.

“Naquela época, não tínhamos psicólogo nem assistente social, então não fazíamos nenhum tipo de trabalho para a reestruturação da família. Hoje, temos uma equipe maior, fazemos visita domiciliar, ajudamos com documentos e encaminhamento para trabalho. A partir daí, decidimos junto com o Fórum se a criança voltará para a família, se entra na fila de adoção ou vai morar numa república”, conta Euza, lembrando que regenerar a estrutura familiar é o maior objetivo do projeto. “O que essas crianças querem é família, que é a nossa base. E não só financeiramente, elas querem o apoio. Então, esse trabalho com os pais é tão importante quanto o que fazemos com a criança enquanto ela está no abrigo”.

Direitos violados

Os menores são encaminhados para a ONG através do conselho tutelar, quando eles percebem que as crianças estão com seus direitos violados: “Alguém precisa garantir esses direitos”, afirma Euza. Segundo ela, os problemas aparecem de forma cíclica. Atualmente, o mais comum é a negligência, quando as crianças são abandonadas pelos pais com vizinhos, na rua ou na própria casa por semanas ou meses. Mas até pouco tempo era frequente ter que lidar com crianças envolvidas com o tráfico de drogas ou vítimas de abuso sexual.

Biblioteca da ONG Marly Cury. Foto de Divulgação
No abrigo, a criança segue uma rotina, que inclui estudos e leitura de livros na biblioteca. (Foto de Divulgação)

Quando não há esperança de que a criança retorne para sua base familiar original, ela é encaminhada para adoção, para morar numa república ou segue no abrigo até completar a maioridade. Enquanto estiver na Associação, terá acesso a uma rotina que conta com educação financeira, alfabetização, exames clínicos, escola, atividade física e atendimento psicólogo. “Elas acordam às 5h30, tomam banho, café da manhã, vão para a escola e voltam por volta das 16h. Tiramos o fim de semana para ir ao cinema, ao teatro, a um parque de diversão, mas isso tudo é caro e a verba que temos não dá conta sempre para esse tipo de lazer”, diz Euza. “Estamos sempre fazendo reformas, então doações de materiais de construção são bem-vindas, especialmente de tinta, peças de porta, trincos. Também recebemos alimentos, produtos de higiene, roupas, calçados, material escolar.  Mas geralmente essas doações só chegam no fim do ano”.

Histórias de sucesso

A coordenadora da instituição lembra de casos tristes de jovens que saíram do abrigo e foram assassinados ao se envolverem com tráfico de drogas e assaltos. Mas Euza afirma que tem mais histórias de sucesso no currículo do que o contrário. E é nessas histórias que ela e sua equipe – educadores, cozinheiros, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais – se baseiam para fazer um trabalho que cada vez colhe mais frutos positivos.

“Tivemos uma adolescente que passou por várias casas de acolhimento até chegar aqui e  fizemos um grande trabalho com ela”, lembra Euza. “Cheguei a pensar que ela seria internada na psiquiatria e não sairia mais. Mas ela saiu há três anos, está trabalhando, estudando, viajou para a Itália, mora sozinha. Uma vez por mês ela vem almoçar com a gente. Foi um caso de sucesso e ficou uma relação de amizade entre nós”, comemora.

Ficha

Área de atuação Assistência Social

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 24

Orçamento anual R$ 86 mil

Percentual doado pelo maior patrocinador 100%

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Não

Publica prestação de contas periodicamente no site? Não

Site http://www.associacaomarlycury.org.br/

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.

Escrito por Michele Miranda

Michele Miranda

É jornalista formada pela PUC-Rio. Há três anos se divide entre Rio de Janeiro e São Paulo, dependendo de onde esteja a notícia. Já trabalhou em "O Globo", no "G1", na TV Globo. Buscando entender as transformações pelas quais a mídia está passando, trabalhou na Artplan como coordenadora de conteúdo, aliando jornalismo à publicidade.

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