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A maior trilha do país

No Rio, de Guaratiba ao Morro da Urca, 180 km de cenários deslumbrantes. Muitos deles, desconhecidos

Trilheiras admiram a paisagem no Mirante do Horto, por onde passa a Trilha Transcarioca. Foto de Marcello Cavalcanti

Generoso em paisagens deslumbrantes, o Rio acaba de ganhar uma enorme trilha  – a maior do país – que permite cruzar a cidade, de Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, ao Morro da Urca, na Zona Sul, surpreendendo-se com atrações naturais pouco conhecidas, inclusive por quem vive na metrópole bonita por natureza. Inaugurada no último dia 11 de fevereiro e batizada de Transcarioca, a imensa passarela verde – com 180 quilômetros – demorou quatro anos para ficar pronta e, dependendo do fôlego e do espírito aventureiro, pode ser percorrida inteira, em cerca de 12 dias. Mas também dá para conhecer o trajeto por partes.

Nunca caminhe sozinho. A recomendação é estar sempre com, no mínimo, outras três pessoas. Uma delas deve ser especialista em trilhas e conhecer todos os locais por onde seu grupo vai passar

O trabalho foi feito por voluntários, que abriram caminhos e cuidaram da sinalização da trilha, que passa por seis unidades de conservação: o Parque Natural Municipal de Grumari; o Parque Estadual da Pedra Branca; Parque Nacional da Tijuca; Parque Natural Municipal da Catacumba; Parque Natural Municipal da Paisagem Carioca e o Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca.  Também integra a Transcarioca a Área de Proteção Ambiental do Morro da Saudade, que permite o acesso a áreas protegidas, como o Sítio Burle Max, o Parque Estadual da Chacrinha, Parque Natural Municipal da Cidade, Museu do Açude e Jardim Botânico. No futuro, ela passará também pela Restinga da Marambaia e o Morro Cara de Cão.

Arte: Fernando Alvarus

A imensa trilha foi  idealizada por Pedro da Cunha e Menezes, que escreveu o livro Transcarioca: Todos os Passos de um Sonho (2000).  Além de gerar emprego e contribuir para que sejam feitas melhorias nas áreas protegidas que ela cruza, outro objetivo do projeto é  o de proporcionar avanços ambientais para a cidade, como a formação de um corredor florestal entre os maciços da Tijuca e o da Pedra Branca, e a racionalização das unidades de conservação do Mosaico Carioca. Nunca ouviu falar? Ele é formado por 27 unidades de conservação, além do Jardim Botânico e a Reserva Florestal da Vista Chinesa. São áreas administradas pelos governos federal, estadual e municipal, que trabalham integrados pela conservação de importantes regiões de Mata Atlântica na capital, além de rios, praias, manguezais e ilhas.

Os idealizadores do projeto acreditam que ela servirá também como modelo de conservação para diversos ecossistemas da Mata Atlântica, contribuindo para uma maior educação ambiental em áreas de restinga, manguezal, praia, costão rochoso, florestas. O trabalho de  implantação, sinalização, manejo, divulgação e uso público e qualificado da trilha é feito em caráter voluntário e colaborativo por integrantes do Movimento Trilha Transcarioca. São 1.2000 voluntários, entre pessoas físicas e instituições da sociedade civil. Embora não seja formalmente constituído, o MTT tem um sistema próprio de gestão, com um coordenador-geral e coordenadores temáticos. O movimento foi criado justamente pela necessidade de organizar a interlocução dos voluntários, adotantes e colaboradores da trilha com os gestores das unidades de conservação por onde ela passa.
Uma das maiores preocupações na trilha é com a sinalização. Ela segue padrões testados internacionalmente. Os mesmos usados no Parque Nacional da Floresta da Tijuca há mais de 15 anos. Desde então, houve uma queda significativa no número de pessoas que se perderam – de 100 para, no máximo, 5 por ano, segundo a Associação dos Amigos da Trilha Transcarioca.

A Transcarioca  tem três tipos de sinalização diferentes.  O desenho de uma bota aponta a direção que o andarilho deve seguir.  Se surgir um X, cuidado!, você está no caminho errado. Ele pode estar pintado em troncos de árvores ou em rochas. Sinal de que você deve retornar e procurar as botas. Setas brancas pintadas em árvores ou rochas indicam a direção do asfalto.

As áreas de proteção ambiental abrigam 833 espécies vegetais:  676 típicas da Mata Atlântica, 133 de lagoas e 24 de mangues. Alguns animais podem cruzar o caminho dos visitantes. Entre os mais comuns estão os macacos-prego e os micos.  Mas há sempre o risco de se deparar com uma cobra.  Nada de pânico. Segundo os responsáveis pela trilha, a tendência é que elas fujam diante da presença do homem. Só atacam quando se sentem ameaçadas.

Tudo azul no Alto da Bela Vista, no trecho Cabungui-Rio da Prata. Foto de Rafael Duarte

Atenção aos conselhos dos especialistas em trilhas para percorrer a Transcarioca:

  1. Nunca inicie a trilha após o meio-dia
  2. Nunca ande à noite
  3. Leve sempre o mapa da trilha
  4.   Nunca caminhe sozinho. A recomendação é estar sempre acompanhado por, no mínimo, três pessoas. Para não correr o risco de se perder,  uma delas deve ser especialista em trilhas e conhecer todos os locais por onde seu grupo vai passar
  5. Nunca se afaste do seu grupo
  6. Fique atento à sinalização
  7. Cada pessoa deve levar, no mínimo, um litro de água e um lanche leve, com frutas, barras de cereais ou similares
  8.  O equipamento que cada um vai carregar tem que ser bem leve, só com itens necessários, como uma bússola, GPS, papel higiênico e medicamentos básicos para primeiros socorros.
  9. Importante também não esquecer do repelente e do filtro solar.
  10. Use  uma mochila adequada para carregar esses materiais
  11. Use bota ou tênis. Nunca ande de chinelo ou descalço
  12.  Nunca pernoite no local. Existem diversas saídas para o asfalto
  13. No inverno, apesar das temperaturas amenas do Rio, é bom levar sempre um agasalho.

Embora a incidência de crimes nas trilhas seja considerada muito pequeno, Carlos Eduardo dos Santos Moura, o Cadu, da associação Los Trilheiros – Rio de Janeiro,  alerta para o fato de que o policiamento é precário. A solução, segundo ele,  seria que os órgãos responsáveis pela preservação das áreas por onde ela passa aumentassem  o número de seguranças, “para que as pessoas pudessem se sentir mais seguras, sem correr o risco de assaltos ou coisa parecida”. Cadu também chama a atenção para o fato de que “alguns  locais ainda não estão bem sinalizados”. Mas, segundo ele, já há grupos parceiros cuidando para resolver o problema, junto com equipes de preservação ambiental, que também estão cuidando da limpeza do trajeto.  Aliás, ele faz um apelo para que os que vão se lançar na aventura não deixem sujeira pelo caminho. Uma das regras daqueles que fazem trilhas é o cuidado com a natureza.

A trilha tem graus de dificuldade variáveis. Alguns trechos são fáceis, mas há outros bem pesados. Segundo Cadu, qualquer pessoa pode fazer o trajeto da Transcarioca, “desde que seja acompanhado por um guia especializado, que tenha um bom conhecimento dessa trilha”, ressalva. “Mesmo que ela esteja quase totalmente sinalizada, existem atalhos que podem fazer com que o grupo se perca, se não tiver uma ou mais pessoas que conheçam bem o lugar”, alerta.

Arte: Fernando Alvarus

Escrito por Antonio Carlos Duarte

Antonio Carlos Duarte

É jornalista esportivo desde 1987 com passagens por algumas das principais rádios do Rio de Janeiro, como Globo, CBN e Tupi. Teve passagens também pelas rádios Tamoio e Brasil. Em Portugal, trabalhou nas rádios Cidade e Miramar. Atualmente é repórter esportivo da Bradesco Esportes FM e colaborador do jornal Record de Portugal

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