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Portugal, terra dos incêndios e da energia eólica

Ventos que ajudam o país a ser exemplo de sustentabilidade também fazem dele um campeão em áreas destruídas pelo fogo

Incêndio na Ilha da Madeira, em agosto de 2016. Ano em que Portugal assumiu a liderança no ranking de queimadas na Europa. Foto de Patrícia de Melo Moreira/AFP
Incêndio na Ilha da Madeira, em agosto de 2016. Ano em que Portugal assumiu a liderança no ranking de queimadas na Europa. Foto de Patrícia de Melo Moreira/AFP

Diz um provérbio português: “O que o vento traz, o vento leva”. E é exatamente isso que acontece em Portugal, um país com pouco mais de 92 mil km quadrados e 11 milhões de habitantes. A brisa constante que corre quase o ano todo por esta pequena nação da Península Ibérica é responsável pela produção de grande parte da energia do país, que é majoritariamente oriunda de fontes renováveis. No entanto, no verão europeu, ela vem se transformando no principal inimigo no combate aos incêndios, muito comuns nesta região.

De todas as terras atingidas por incêndios na Europa, em 2016, 54% estavam localizadas no território português

Dados de 2014 indicam que Portugal está entre os países do mundo com maior participação de fontes limpas em sua matriz energética, chegando a 60%. A produção eólica gira em torno de 25% e é superada apenas pela Dinamarca, que produz mais de 40%. Em maio de 2016, o país conseguiu a proeza de ficar 107 horas consecutivas sendo abastecido apenas por energia solar, eólica e hidrelétrica. As vantagens ambientais e o impacto económico foram evidentes já que assim foi reduzida a necessidade de importar carvão e petróleo.

Turbinas de energia eólica na Ilha da Madeira, em Portugal. Foto de GUIZIOU Franck / hemis.fr / Hemis
Turbinas de energia eólica na Ilha da Madeira, em Portugal. Foto de GUIZIOU Franck / hemis.fr / Hemis

Mas foi no mesmo ano de 2016 que Portugal conquistou o título de país que mais ardeu em toda a União Europeia. Foram mais de 120 mil hectares queimados, uma área quatro vezes superior à média destruída pelo fogo entre os anos de 2008 e 2015. De todas as terras atingidas por incêndios na Europa, em 2016, 54% estavam localizadas no território português. O pior período foi o compreendido entre a metade de julho e primeira quinzena de setembro.

Os números tornam-se mais alarmantes quando se considera que Portugal foi o único país da União Europeia a perder área florestal nos últimos 15 anos, num total de 150 mil hectares. O governo promete intervir para tentar diminuir os focos de incêndio e enviou ao Congresso uma proposta de reforma florestal que deve ser discutida e aprovada até o final de janeiro.

Dados de 2014 indicam que Portugal está entre os países do mundo com maior participação de fontes limpas em sua matriz energética, chegando a 60%

Enquanto a defesa efetiva das florestas não vem, o país acumula bons índices em outras áreas do desenvolvimento sustentável. Ele ficou em 5º lugar numa relação de países que mais combatem as mudanças climáticas, ocupando a 4ª posição em emissões de CO2 associadas à produção de energia. Em 2015, Portugal ficou na 10ª posição no ranking do Fórum Económico Mundial, Global Energy Architecture Performance Index, que avalia a política energética de 125 países, subindo oito posições em relação ao ano anterior.

Quem circula pelas estradas portuguesas não terá dificuldades em ver as turbinas eólicas espalhadas pelo país. Elas começaram a ser utilizadas em 1986, no Arquipélago da Madeira. Dois anos depois foi a vez do Parque Eólico do Figueiral na Ilha de Santa Maria na região dos Açores. A energia solar também vem crescendo muito no país. As novas construções já são projetadas para receber o máximo de energia solar. Embora elas sejam visíveis nos edifícios de cidades como Lisboa e Porto, é no interior que elas são mais utilizadas.

Escrito por Antonio Carlos Duarte

Antonio Carlos Duarte

É jornalista esportivo desde 1987 com passagens por algumas das principais rádios do Rio de Janeiro, como Globo, CBN e Tupi. Teve passagens também pelas rádios Tamoio e Brasil. Em Portugal, trabalhou nas rádios Cidade e Miramar. Atualmente é repórter esportivo da Bradesco Esportes FM e colaborador do jornal Record de Portugal

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