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Fim de festa em Belo Monte

Prestes a começar a funcionar, usina deixa um rastro de miséria e tristeza

(Fotos de Marizilda Cruppe) – Até onde a vista já não alcança, de tão vasto, e a poeira vermelha do barro da Transamazônica não deixa mais ver, de tão longe, o fim fica bem depois. Tudo é superlativo em Altamira, imensidão no Sudoeste do Pará. Seus monumentais 161.446 km² de área fazem do município o maior do país em extensão territorial e o terceiro do planeta. Se fosse um estado, Altamira ocuparia, em tamanho, a 16ª posição no mapa brasileiro, à frente de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Acre, Ceará… Se fosse uma nação, seria, em dimensão, a 92ª do globo terrestre – engoliria uma Grécia e meia; quatro Suíças; quase duas vezes os limites de Portugal.

Lixo acumulado no rio Xingu, na orla do centro do município de Altamira. O saneamento prometido não veio
Lixo acumulado no rio Xingu, na orla do centro do município de Altamira. O saneamento prometido não veio

Hoje, porém, também são cada vez mais superlativos os desapontamentos, as dores, as decepções e as tristezas da pobre gigante Altamira, cujo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU) mal chega a 0,6, patamar considerado sofrível. As sementes desse dissabor foram plantadas em 2011. Foi quando começou a ser erguida ali, no leito do Rio Xingu, sob a desconfiança severa de movimentos sociais, mas com a esperança de quem acreditava no desenvolvimento da região (sobretudo, empresários e poder municipal), a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Hoje, com a obra prestes a atingir 100% de conclusão, e com a descomunal hidrelétrica já de posse da licença definitiva do Ibama para operar, o clima em Altamira é de fim de uma festa que não houve. Domingo passado, 27 de março, pousou na cidade o último voo regular Rio-Altamira da Gol, que só existia por causa do grande fluxo gerado pela obra. Cinco anos depois, só uma das condicionantes referentes à cidade foi integralmente cumprida – um aterro sanitário de lixo, e, ainda assim, com ressalvas.

Mamute de 24 turbinas que veio se somar às hipérboles do município como a maior hidrelétrica 100% nacional e a terceira mais imponente do mundo, Belo Monte, esteticamente, nada tem de bela. É um Everest horrendo de concreto e ferro no meio da Floresta Amazônica. Em dimensões e potencial energético, perde apenas para a chinesa Três Gargantas e a brasileira-paraguaia Itaipu Binacional. Ocupa uma clareira impressionante de 37.375.644 m² de área desmatada, imensidão equivalente a 9,11 Copacabanas, ou a 830,5 estádios do Pacaembu.

Leia mais: “De todas as promessas, só uma foi cumprida“, “Xingu não está para peixe“, “Um belo monte de frases e dramas“, “Um monumento à insanidade

Monte (0)/ Fernando Alvarus

Controlada pelo consórcio Norte Energia, formado pelo grupo Eletrobras (49,98%), pelos fundos de pensão Petros (10%) e Funcef (10%), pela brasileira-espanhola Neoenergia (10%), pelas associações Cemig-Light (9,77%), Vale-Cemig (9%) e pelas minoritárias Sinobras (1%) e J. Malucelli Energia (0,25%), Belo Monte foi orçada em R$ 16 bilhões e leiloada por R$ 19 bilhões em 2011. Hoje, já está custando cerca de R$ 32 bilhões, dos quais pelo menos R$ 22 bilhões foram financiados com dinheiro público pelo BNDES.

É tão gigantesca que, para ser levantada, foi preciso um colar de construtoras. Foi erguida por empreiteiras que, mais do que nunca, nestes dias conturbados de Operação Lava-Jato, têm frequentado o noticiário político-policial – Andrade Gutierrez, líder do consórcio construtor; Odebrecht; Camargo Corrêa; Queiroz Galvão; OAS; além de Contern, Galvão, Serteng, J. Malucelli e Cetenco.

A sociedade civil organizada da região de Altamira, apoiada por ambientalistas de todo o Brasil e lá de fora, não a queria. Lutou o quanto pôde contra sua construção. Foi acusada de tentar deter o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil. Temia pelo Xingu, pelos índios, pelos ribeirinhos, por seus pescadores, pelas remoções que poderia implicar. Quase uma dezena de ônibus que levam e trazem trabalhadores do Centro de Altamira até o canteiro de obras foi incendiada por manifestantes, índios e operários grevistas em protestos na Transamazônica e nos travessões que levam ao canteiro. Em vão. Mesmo assim, a gigante, projetada 30 anos antes, ainda na ditadura militar, acordou – e foi erguida.

Uma das condicionantes para a instalação da usina era a construção do Hospital Geral de Altamira para amenizar o impacto do aumento da população. Ele ficou pronto com atraso e continua fechado, sem equipamentos e médicos
Uma das condicionantes para a instalação da usina era a construção do Hospital Geral de Altamira para amenizar o impacto do aumento da população. Ele ficou pronto com atraso e continua fechado, sem equipamentos e médicos

Há seis anos, quando o então presidente Luís Inácio Lula da Silva desarquivou o projeto e anunciou o início das obras, atribuindo a “gringos” a grita contra a usina, a promessa oficial era de que Belo Monte levaria à região a contrapartida de desenvolvimento, emprego, renda, mais escolas, mais hospitais, mais segurança, rede de água tratada e de coleta de esgoto, melhoria das condições de vida dos povos indígenas e ribeirinhos, moradia decente a quem precisasse ser removido e, entre outras maravilhas, reunidas em 54 condicionantes, lazer e bem-estar. A Amazônia, ali, enfim, seria exemplo de crescimento sustentável. Não foi o que aconteceu.

Hoje, com a obra prestes a atingir 100% de conclusão, e com a descomunal hidrelétrica já de posse da licença definitiva do Ibama para operar, o clima em Altamira é de fim de uma festa que não houve. Domingo passado, 27 de março, pousou na cidade o último voo regular Rio-Altamira da Gol, que só existia por causa do grande fluxo gerado pela obra. Cinco anos depois, só uma das condicionantes referentes à cidade foi integralmente cumprida – um aterro sanitário de lixo, e, ainda assim, com ressalvas. O município, onde, na medida do possível, viviam bem, obrigado, 98 mil pessoas, tem hoje cerca de 170 mil habitantes, segundo a prefeitura – e seus problemas duplicaram com a chegada dos milhares e milhares de forasteiros atraídos pelo megaempreendimento.

Alex Soares, 47 anos, nascido e criado em Altamira. Na foto ele retira algumas telhas que guardou de sua casa que foi demolida: “Eu tinha uma casa boa. Fui esmagado por um rolo compressor. Não tive escolha. Ou aceitava ou ficava sem nada”
Alex Soares, 47 anos, nascido e criado em Altamira. Na foto ele retira algumas telhas que guardou de sua casa que foi demolida: “Eu tinha uma casa boa. Fui esmagado por um rolo compressor. Não tive escolha. Ou aceitava ou ficava sem nada”

O índice de distribuição de água tratada e de coleta de esgoto, que era de 0%, continua em 0% (a Norte Energia instalou os dutos, mas, até hoje, não os conectou às residências). Um hospital geral, prometido para amenizar o impacto do aumento da população – e que, por isso, como determinava a cartilha de condicionantes, deveria ter ficado pronto antes do início do erguimento da usina –, foi, de fato, construído, embora com atraso, mas, até hoje, não funciona. Há um ano, é só um prédio vazio com letreiro na fachada, um monumento de cimento ao nada numa região ainda mais doente.

A cultura de seus cerca de 10.000 índios de 11 etnias, que viviam em paz, foi exposta ao defloramento. Das mais de 100 ilhas que havia no Rio Xingu, habitadas por mais de 1.000 pescadores, apenas nove não ficaram submersas. Todas as cerca de 40 praias naturais, com suas areias muito brancas, que surgiam no verão e proporcionavam diversão para seus moradores, desapareceram, engolidas pela mudança do nível do rio.

Os habitantes de Altamira andam tristes e inseguros pelas ruas. Uma autoridade municipal disse ao #Colabora que, hoje, tem medo de andar pela cidade com seu cordão de ouro no pescoço e seu iPhone na mão. O município é um imenso canteiro de obras parado ou semiparado, onde a lama do barro, neste período de chuvas, faz atolar até jipes 4×4 (o do secretário de Planejamento de Altamira, Luiz Cláudio Pereira Corrêa Júnior, por exemplo, ficou agarrado, na manhã da segunda-feira 21 de março, no lamaçal de uma obra compensatória abandonada).

Jovens, entre eles um menor de idade, aguardam o delegado de plantão na delegacia de Altamira. Eles são suspeitos de terem furtado um aparelho de som, um nebulizador e um liquidificador
Jovens, entre eles um menor de idade, aguardam o delegado de plantão na delegacia de Altamira. Eles são suspeitos de terem furtado um aparelho de som, um nebulizador e um liquidificador

Uma multidão de 40.000 pessoas (8.000 famílias) teve de ser removida de suas casas, demolidas para dar lugar à área alagada ou a construções da usina. Esse mundaréu de gente, equivalente à população de cidades como São Loureço (MG), Paraty (RJ) ou ainda como Remanso e Sento Sé (BA), foi remanejado para novos bairros, batizados de RUCs (Reassentamentos Urbanos Coletivos), construídos pela Norte Energia, mas, até hoje, não dotados de infraestrutura de transporte, comércio ou lazer. Pescadores que moravam à beira do rio estão agora distantes até dez quilômetros de onde ganhavam seu sustento.

Aliás, as mudanças dos humores do Xingu reduziram bruscamente a pesca (80% da vazão do rio no trecho conhecido como Volta Grande foram desviados para um canal artificial de 20km de extensão e com média de 300m de largura, quase metade do Canal do Panamá). O tucunaré, por exemplo, peixe-símbolo do rio, farto antes da usina, tornou-se raro. Como se esconde entre pedras no raso, e as pedras da região onde a pesca ainda é permitida foram afogadas, o tão apreciado peixe sumiu.

Uma endemia de prostituição emergiu do afogamento das margens do rio. A violência contra mulheres aumentou na proporção de uma ocorrência, em média, por dia, na delegacia da cidade, segundo a Superintendência de Polícia Civil.

Numa região historicamente já ferida por conflitos agrários (foi ali que, em 2005, foi morta a freira missionária norte-americana Dorothy Mae Stang), o número de assassinatos, depois de Belo Monte, saltou de 48 para 86 por ano – ou uma taxa de 57 por 100 mil habitantes, segundo o IBGE, número cinco vezes maior que o considerado “não epidêmico” pela Organização Mundial de Saúde.

Os roubos e furtos se multiplicaram a ponto de forçarem a Secretaria de Segurança do Estado a implantar um plano antiviolência para a região. A incidência da criminalidade juvenil disparou, segundo a percepção geral.

Área de embarque do aeroporto de Altamira em 21 de março de 2016, seis dias antes do último voo da Gol. O fluxo de passageiros no município diminuiu com a proximidade do fim das obras
Área de embarque do aeroporto de Altamira em 21 de março de 2016, seis dias antes do último voo da Gol. O fluxo de passageiros no município diminuiu com a proximidade do fim das obras

A evasão escolar, impulsionada pela atração de jovens para o trabalho não qualificado na obra, levou a reprovação escolar a subir 40,5% no ensino fundamental e 7,35% no médio. A evasão das salas de aula aumentou 57%. A superpopulação fez os preços dos aluguéis subirem escandalosos 3.000%. As mobilidades urbana e rural, que já eram precárias, tornaram-se caóticas. Havia 205 táxis na cidade antes da obra. Hoje, são 570, que rodam sem taxímetro e, indiferentes à míngua de empregos e à escassez do dinheiro, passado agora o auge da construção da usina, cobram quanto querem dos passageiros (a bandeirada mínima custa R$ 20, mesmo que o deslocamento seja de apenas 100m).

Os acidentes de trânsito cresceram na progressão geométrica de 144% – e, por tabela, o índice de atendimentos demandados por batidas de carro ou quedas de moto na cidade variou 213% para mais no Hospital Geral de Altamira, o único de alta complexidade em toda a região do Baixo Xingu, formada por 11 cidades, cinco delas impactadas diretamente por Belo Monte (as outras quatro são Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Brasil Novo e Anapu).

Outra decepção proporcionada por Belo Monte diz respeito não só a Altamira e a suas cidades vizinhas, mas ao país todo. A 880km de Belém e a 1.880km do Palácio do Planalto, em Brasília, a usina fora projetada com a loa de que acrescentaria 11.233,1 MW à matriz energética brasileira. Mas seus empreendedores já admitiram que a produção média, por causa das mudanças impostas ao projeto, não deve passar muito de 4.000 MW.

Também é superlativa, em Altamira, a decepção com Lula, que ressuscitou o plano de construção da usina, e sua sucessora, Dilma Rousseff, em cujo governo a obra foi executada. Uma data é marcante na cidade: 22 de junho de 2010. Naquele dia, do alto de um palanque montado no Estádio Municipal José Marino Bandeira de Matos, o Bandeirão, cujos dois únicos acessos estavam protegidos por tropas da Força Nacional, para conter manifestantes contrários ao projeto, o então presidente anunciou assim o que estava por vir (a transcrição é oficial, dos arquivos do site da Presidência da República):

– De vez em quando, vem um gringo (aqui) dar palpite sobre o Brasil. Precisamos mostrar ao mundo que ninguém mais do que nós quer cuidar da nossa floresta. Ela, a floresta, é nossa. E que gringo nenhum meta o nariz onde não é chamado, porque saberemos cuidar das nossas florestas e do nosso desenvolvimento.

Lula se referia, ali, a estrelas como o cantor inglês Sting e ao cineasta canadense radicado nos Estados Unidos James Cameron, que, dois meses antes, estivera na região e protestara contra o erguimento da usina, “uma questão não só do Brasil, mas do mundo todo”, como dissera o diretor de “Avatar”, entre outros filmes de sucesso.

Durante sete dias, de 14 de a 21 de março, o #Colabora esteve em Altamira, onde navegou no Xingu, sobrevoou Belo Monte e ouviu dezenas de pessoas, entre lideranças da sociedade civil, de ONGs, autoridades municipais, índios, pescadores, ribeirinhos, moradores removidos de suas casas, representantes do Ministério Público, do Ibama, jovens, idosos, gente comum. Só a Norte Energia, insistentemente procurada, recusou-se a falar. O resultado deste trabalho rendeu uma série de reportagens que começamos a publicar a partir de hoje.

Escrito por Marceu Vieira

Marceu Vieira

Marceu Vieira é jornalista, compositor e, quando pode, ficcionista e cronista do cotidiano. Iniciou-se no jornalismo na extinta "Tribuna da Imprensa" e seguiu na profissão, sempre repórter em tempo integral, nas redações de "O Nacional", "Veja", "Jornal do Brasil", "Época" e "O Globo".

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54 Comentários

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  1. Parabéns, Marceu e Marizilda! Parabéns prla iniciativa do #Colabora. Vou acompanhar a série toda, com certeza. Acredito muito na relevância desse tema! Bjs

  2. O que você relatou ,meu amigo,parece mais o inferno de Dantes no norte do Brasil.Se eu não lhe conhecesse e não soubesse da sua credibilidade como jornalista,eu diria que você inventou tudo isso para enganar os incautos.Deixo aqui o meus parabéns pelo seu ótimo texto,sobre tão triste realidade.

  3. M-a-r-a-v-i-l-h-a! E pensar que reportagens assim tinham espaço nos impressos. Tem jornalista para fazer e, agora, lugar para publicar. Parabéns Marceu e Marizilda. No aguardo da série.

  4. mil imagens feitas por sílabas + quadros e apenas uma palavra sobre essa série de reportagens: obrigatória.
    Marceu Vieira​ e Marizilda Cruppe​ tabelam e reverberam este “ethos 7×1” q parece não ter fim.

  5. Veradadeira palhaçada essa matéria… O cara vem da Ksa do carvalho denegrir a imagem da cidade de ATM… Video ridículo aonde atolam um carro num local que nem rua é…

    • Não entendo porque não gostar do texto, em que Altamira você está vivendo que tenha as condicionantes concluídas, se você está em uma Altamira que está com água tratada, esgoto tratado e ruas pavimentadas me diga que irei mudar para a sua Altamira, porque a que eu moro está conforme o que foi escrito!

    • Thalis….penso que você parece não compreender a realidade de nossa cidade. ..que tal você andar e conhecer algumas ruas? Moro aqui há 45 anos e bem sei a mudança de Altamira. Para eu ir trabalhar passo numa rua em que o lamaçal, buracos tomam conta da (s) rua (s). Tenho acompanhado de perto toda essa transformação e tudo o que foi escrito pelo Marceu é a mais pura realidade. ..pessoas foram arrancadas de suas casas e colocadas em locais longe de tudo. Longe de lugares para comprarem o básico para sobreviverem. Sem falar que as casas estão com rachaduras..falta água por semanas seguidas. E tantas outras coisas. Belo Monte sempre foi um péssimo negócio para o nosso povo…e agora está vindo à tona a podridão dessa mega estrutura que mais trouxe destruição do que melhorias…eu poderia escrever muito mais porque vivo isso todos os dias pelo fato de ver e ouvir pessoas que diretamente foram impactadas por este empreendimento. Portanto, sugiro que você procure “conhecer” , saber da atual situação de Altamira e depois emita sua valorosa opinião. Não participo de movimentos sociais, nem partidos políticos apenas moradora de uma cidade em que em nome do tal famigerado progresso estão tentando acabar com o que nos resta de esperança de dias melhores para a “Princesinha da Transamazônica” como Altamira era conhecida. Deus nos ajude a suportar o que virá pela frente. ..

  6. Este foi o melhor texto que li sobre altamira e região envolvendo a hidroelétrica de Belo Monte, Tudo que está escrito é verdadeiro, município está jogado às minguas. Mais não vejo nada de novo, tudo isso eu e muita gente já sabia. Infelizmente a população em geral foi enganada por falsas promessas de políticos como sempre.
    Sonho com um dia isso tudo mude base país.

    • Bem sei que tudo quanto escreveu é a mais pura realidade, más quero deixar aqui uma observação: Moro em Altamira há 36 anos, recebemos o Linhão de Tucuruí num tempo de apagão, chegou como um presente em nossas casas, nunca vou esquecer o benefício da hidrelétrica de Tucuruí. Agora quero saber de nossos comentaristas e também dos manifestantes: Vocês voltariam aquele tempo do apagão simplesmente por causa do grande impacto causado pela construção da Hidroelétrica de Tucuruí? Para cada ação há uma reação, se estamos vivendo este tempo de insegurança e até mesmo descasos ou intolerância, vamos beneficiar alguém que assim como nós também fomos beneficiado pelo descaso, intolerância e insegurança e outros transtornos mais no caso de Tucuruí, penso assim! Me desculpem os exageros, más só acho!

  7. Olá Marceu,uoto bom ter alguem que escreva sobre a tragedia de nossa região, muito impotante deixar resistrado a bagunça, ganancia, descaso, falta de respeito,desumanidade, e outros adjetivos que faltaria espaço para escrever.
    Sou uma das pessoas que foram roubadas por esse empreendimento, me roubaram o direito de ter minha visinhança, de escolher onde queria morar, meu fireito de trabalhar com que eu e meu esposo gostavamos de fazer, por sinal, gerava anualmente mais de 12.0000.00 para o Estado.
    Em fim o resistro de sua reportagem é muito valido sim! Só assim vou ter como mostrar pro meus filhos e netos nossa historia de terror e superação.
    #Desabafo#

  8. Parabéns Marceu e Marizilda pelo belo e verdadeiro texto divulgador da real situação na qual se encontra nosso “ex humilde município”. Realmente todo relato condiz com a real situação em que nosso município se encontra.
    Infelizmente Altamira soma com os demais municípios prejudicados com a construção de uma Usina Hidrelétrica na qual visava o “Progresso” de um povo e um região.

  9. Seu texto descreve muito bem a situação de Altamira e região. Triste realidade para os altamirenses e para os não altamirenses que moram e amam esse lugar. Uma breve observação: o nome do hospital que atende vários municípios é o Hospital Regional da Transamazônica.

  10. Texto e abordagem fantástica!
    Sou de Altamira e é exatamente isso. ..hoje moro em outro estado e vivo o conflito de querer voltar e trabalhar na minha cidade de origem, porém ao olhar as condições tão precárias de vida hoje de lá fico arrasada. Após ter retornado de um período de três meses que estive em Altamira é exatamente esta a sensação “Fim de Festa “…. Altamira pede O mínimo de Bom senso para com uma região tão rica e mal cuidada!

  11. Muita coisa que esta escrito ai nao e bem assim, impactos tem sim. Mas vamos falar a verdade este video deste carro atolado esta rua ainda nem estava liberada para trânsito de veículos. Seu sensacionalista.

  12. Retratou muito bem a realidade à qual nós moradores estamos enfrentado pelo caos instalado por Belo Monte! Uma verdadeira destruição dos biomas e ecossistemas que nunca mais se recuperarão!! Violência em demasia,! Mais aspectos negativos que positivos que o governo dos petralhas instalou em nossa região do Xingu!! Um rio lindo por natureza agredido pela corrupção e ganância de uma minoria!

  13. Eu gostaria de ver esse texto-reportagem publicado em O Globo ou no Estado de São Paulo. Infelizmente, poucas pessoas têm conhecimento, inclusive eu, desse quadro descrito e das consequências da construção dessa usina. Lembrou-me da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamore, que hoje não existe mais. Como poderei ter acesso a esses artigos e arquivá-los? Parabéns. Mto. obrigada.

  14. Ridículo!!! Texto 30% ou mais monótono… Muitas informações fora do contexto… Se não sabe, a usina apesar de afetar Altamira, todo o projeto fica no município de Vitória do Xingu… Sendo assim, toda “compensação”fica para mesma, somente uma pequena porcentagem foi repassada para município de Altamira em melhorias devido alojar os colaboradores. O Sr. passou alguns dias por aqui fazendo pesquisa e nem se quer assistiu o JN, foi divulgado em rede nacional uma matéria sobre esse bendito hospital!

    Esse hospital já foi entregue ao município de Altamira, não está mais na responsabilidade da UHE, sendo assim, total responsabilidade e do município, o Sr. pela secretaria de saúde por sua vez, informou que só iria inaugurar o mesmo após inaugurar a UPA do bairro para que não ocasionar uma outra lotação como hoje ocorre no hospital do município. Já a UPA não foi inaugura por falta do ligamento da energia… Deste modo o culpado é a CELPA…

    Um joga para o outro, na reportagem outro prazo foi restabelecido que venceu mês passado e nada…

    Todas as obras concluídas são de responsabilidade da prefeitura…

    Já a questão se aumento de roubo, violência, táxi,… Normal!
    Se um cidade de têm 1000 habitantes tem um delegado, dois ladrões, um padre e um pasto é óbvio que um cidade que têm 10000 habitantes tem dez delegados, vinte ladrões, dez padres e dez pastores. Quando aumenta a população de forma desordenadas, também aumenta os pontos positivos e os negativos, perguntas para os comerciantes se ficou ruim pra eles?

    Os aluguéis aumenta mesmo, é a lei da procura… Vivemos em meio a lei de Gérson!!!

    Toda moeda tem dois lados, seja justo, mostre os dois!

    • Também tenho essa mesma visão, pessoal sabe mesmo é criticar, estive antes e depois, não acho que aqueles ribeirinhos que foram desalojados e colocados longe não tinha essa vida digna como é relatado no texto, o que se via era prostíbulos e casas de palafitas. Concordo que a região sofre pelo abandono da classe política que não tem o mínimo interesse em buscar melhorias para região, agora colocar culpa na hidrelétrica torna o texto tendencioso e parcial.

  15. Esta primeira parte só publicou tudo de negativo que o projeto levou para a região. Acredito que já a partir da segunda reportagem serão enfocados os benefícios, pois não creio que uma obra dessa magnitude não tenha trazido desenvolvimento.

  16. Parabéns pela reportagem, séria e verdadeira!

    AS FALAS QUE COTESTAM SUA REPORTAGEM SÃO CERTAMENTE FRUTO DA IGNORÂNCIA OU DE PESSOAS QUE SÃO PAGAS PELA EMPRESA PARA FICAR “RESPONDENDO” A SUPOSTAS ACUSAÇÕES INDEVIDAS.

    TRANQUILO, É ASSIM MESMO, APESAR DOS IDIOTAS DE PLANTÃO TEMOS QUE VIVER E DIZER A VERDADE PARA TODOS OS CANTOS DO MUNDO! BELO MONTE É UM CONTRAEXEMPLO DE OBRA. FOI PÉSSIMA AOS POVOS DA TRANSAMAZÔNICA E XINGU. PÉSSIMA !!!

    • Kkk… Vc deveria sair um pouco de sua comodidade e sair para realidade… Abra sua mente… Procure por mais fonte, não acredite na primeira besteira que te empurrar… Vc acha que uma obra desta magnitude só traria pontos negativos???
      Para de ser ingênuo!!!
      Vc esta ai usando um equipamento graças a uma usina que teve mesmas críticas…
      Não tá gostando, vai estudar e criar uma maneira de estocar vento!!!
      Compra placa solar, fique com dia sem energia…

  17. Prezado Marcel a diferença entre um belo texto e a realidade pode muito bem ser explicada por Aristóteles através do livro Arte Retórica e Arte Poetica, onde ele procura estabelecer uma diferença entre os Sofistas que querem convencer pela eloquência das palavras, não importando com a sua conexão com a realidade. Apesar de ser jornalista e ter visitado a cidade e ter feito um belo texto, você peca ao trabalhar com alguns números, e com informações que não são reais e também peca quando procura adjetivar, coisa que se aprende lá na introdução ao jornalismo. Desculpe a sinceridade. mas o bom texto é aquele em que você checa as informações e as sustenta com dados e não somente com suas observações. Nem sempre aquilo que se vê é aquilo que se enxerga. As pessoas veem a partir do ponto onde estão os pés. Continue escrevendo, mas procure se a ter mais aos dados.

  18. É um texto sim meio senciacionalista, quando na verdade a cidade não está muito diferente do que era antes, como a quesão da violencia, pobreza, falta de infraestrutura, poluição e atrofia econômica da região. Entre alguns outros erros desse texto, o IDH que é sim maior que 0,630, e o hospital que foi construído pela UHE mas assim que ficou pronta foi repassado à prefeitura, assim como a farsa do carro atolado.
    Agora minha opinião, isso tudo é culpa interinamente do Governo Federal, mais especificamente do governo Dilma, não houve assistência ao município, não houve projetos pra beneficiar a economia e a população visando o pós-Belo Monte, aliás só pisaram na cidade pra gravar propaganda política em 2014, e nunca mais se quer lembraram. É um descaso imenso por parte dessa presidente maldita. O Município e Estado também tem sua parcela de culpa, no caso da segurança a contingência policial por habitante é infinitamente menor que recomendado, você está na cidade e não vê um carro da polícia fazendo ronda no seu bairro, isso aliás é algo raro de se ver por lá. Mas se você quiser ser honesto, vai perceber algumas coisas boas que a UHE deixou, e saiba que todos os problemas sociais, econômicos, estruturais e ambientais que estão ocorrendo em Altamira tem mais de um culpado, que são em geral nossos políticos!

  19. A maior parte dos problemas mostrados são de responsabilidade da Prefeitura e do governo estadual (saneamento, educação, transporte, segurança, saúde). Temas para cuja solução a usina trouxe recursos, dinheiro e gente, mas as autoridades e população locais jogaram fora. Agora, funcionando, a usina vai gerar impostos locais e, se nada acontecer, novamente o dinheiro será desperdiçado.

  20. Parabéns, Marcel pela reportagem. Realmente, tudo que você relatou é verídico, e que a população se prepare, pois isso só é o começo de coisa pior que ainda teremos pela frente. É o inicio de uma resposta ao tal falado desenvolvimento que muitos queriam e poucos conseguiram tomar frente lutar. É lamentável, por que até hoje tem famílias que estão sendo ludibriadas pela Norte Energia, para deixarem suas residencias sem ter direito de serem indenizadas pelas consequências do resultado do empreendimento.

  21. infelizmente querem usar a norte energia como salvador da patria ,acho que ela ainda fez muito por uma regiao que sempre viveu na lama escondida no meio do mato,terrrenos e casas indenizadas por valores acima do normal,casas doadas e ja vendidads pela maioria que foi beneficiada,infelizmente isso e brasil,a corrupção ta no sangue.

  22. Eu moro aqui desde criança é Altamira já era assim,ou pior,com seus alagamentos com suas ruas esburacadas com sua pobreza.
    É essas pessoas que moravam nos alagados deveriam agradecer por terem ganhado uma casa no sexo.

  23. Engraçado que quem ganha com as usinas SEMPRE fala bem, claro, como cuspir no prato onde está comendo ?? Agora quando falamos da MAIORIA da população que ficou esmagada e oprimida no meio dessas obras e projetos logo tentam silenciar, falar dessa gente PRA QUÊ ?? É melhor deixa-los a mingua, não importam mesmo, são só “estatística”, o problema é que a população CANSOU de estar a mercê da minoria que é diretamente favorecida por esses projetos, VOCÊS NÃO CONTAM E NEM INFLUENCIAM NA REALIDADE DA PUPULAÇÃO, ACEITEM QUE ESTE PROJETO É UM DESASTRE AMBIENTAL E SOCIAL QUE OS EFEITOS DELE SÓ COMEÇARAM A APARECER, falem por vocês seus abutres, da ambição e da ganância de vocês que se favoreceram disso tudo e não da poulação que sofre com toda a bandalheira !! Parabéns pela reportagem, você deveria registar também os impactos nas outras cidades onde vão passar esses empreendimentos e jogar toda a merda no ventilador que eles são.

  24. r: quantos geradores de energia a oleo serão desligados, as empreiteiras que executaram as obras eram nacionais e unicas disponíveis no mercado, ou não. a energia elétrica via rios de início é muito cara, pode causar impactos a natureza, mas, dentre todos o menor, havendo agua a natureza se recompoe. finalmente já imaginou a sua Altamira com energia eletrica 24 horas por dia sem ter que desligar seus geradores pra economizar combustiveis que poluem muito mais que barragens, acho que deixaria um pouco de sua industria extrativista e entraria na verdadeira industria a de transformação que é a que verdadeiramente gera empregos.

  25. Ótima iniciativa, espero muita imparcialidade destes artigos e qualidade jornalística. Tenho certeza que o Brasil precisa entende o que acontece em Altamira!

  26. Tenho 71 anos, depois dos 21 trabalhei somente em obras de grande porte tendo começado como ajudante. Em 1974 já tinha cargo de chefia e participei da construção da barragem de São Simão GO. Trabalhei no Projeto Jari PA, Carajás PA, Residência 2/5 Altamira PA, A serviço da Telepara PA, Quatro plataformas de petróleo para a Petrobras, Cosipa SP, Aço-Minas MG etc. De ajudante a encarregado em 1973 trabalhei na montagem de fábricas de cimento, papel e celulose, fabrica de bebidas e outras. A minha maior obra de construção foi o Wolrd Trade Center SP e, foi a obra com o menor número de pessoas:1500. Durante 38 anos por onze estados pude ver de tudo. Quer seja aqui ou ali, qualquer obra grande causa grandes impactos e muitos são prejudicados. É um preço que alguém têm que pagar. não é justo é claro e nem sempre os benefícios chegam a todos contudo sou a favor do progresso embora sabendo que a muitas irregularidades.

  27. Thalis, seu idiota! Por causa de pessoas imbecis como voce é que a situação do país se encontra como está. Voce é um grande idiota. Deveria fazer igual ao avestruz, que por vergonha deveria enfiar a cabeça em um buraco.

  28. A situação de altamira é crítica, contudo, a esta altura com uma obra bilionária quase Concluida ; somente agora que a ong decidi se mobilizar pra ganhar notoriedade….porque só agora?

  29. Porque so agora a ong decide manifestar-se pra ganhar notoriedade? deveriam ter agido antes, agora que os efeitos estão potencializados e uma obra bilionária está em estágio final de construção e pra piorar o brasil enfrentando uma crise politico-econômica, sinceramente não há Muito a se fazer!!!!!

  30. Muito bom o texto. Sou iguaçuense, e em minha cidade foi construída a Famosa Itaipu Binacional. Conheço de perto estes mesmos problemas. O vertiginosos aumento da população, da violência, da escassez. A destruição do Riu Paraná, etc. Da pra se dizer que tudo o que esta acontecendo hoje em altamira, ocorreu em Foz do Iguaçu.
    Incrível como os erros seguem sendo repetidos e as autoridades não estão nem ai. Hoje nosso município possui um mundo de limitações impostas pela Itaipu, que se vende como santa por dar algumas migalhas ao município. No entanto, nossos pescadores e nossa população continuam sofrendo as consequências, que serão eternas.
    30 anos de itaipu, 30 anos de degradação de Foz do Iguaçu.

  31. Valeu Marceu eu Orides Holodniak trabalhei pouco tempo nessa obra. A convivencia com os colaboradores foi muito boa, fiz muitos amigos: mas la no pimental onde trabalhei eu produtos quimicos sendo usados no concreto, vencidos. ate isso: quando eu comentei com meu superior ele logo mandou retirar a etiqueta de vencimento e substituila por uma atual. A corrupcao esta e m toda a parte

  32. É com tristeza profunda na alma que leio essa reportagem. Estive em Altamira em 2011, pouco depois do início da construção do”belo monstro”, fazendo uma reportagem para o Diário do Nordeste. À época, denunciamos todos os possíveis impactos para a população. Visitamos Anapu e Vitória do Xingu, além de duas aldeias da Volta Grande. Ouvimos as lideranças indígenas, o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, pescadores, beiradeiros. Era uma tragédia anunciada! Tenho uma vergonha imensa do governo do PT por conta dessa obra, dessa grande farsa que vende o discurso do desenvolvimento a todo custo. Que Belo Monte sirva de exemplo para o nosso povo, sobretudo para a população que mora às margens do Tapajós.

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