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Traga sua sacola de casa

A partir de 1° de julho, França começa a implementar o fim das embalagens plásticas

Sacolas de tecido, cestas de vime, estilosos carrinhos de feira e sacolas dobráveis que cabem na bolsa voltaram a ser moda na França
Sacolas de tecido, cestas de vime, estilosos carrinhos de feira e sacolas dobráveis que cabem na bolsa voltaram a ser moda na França

“Vou dançar o tcha-tcha-tcha…. Casas da Banha….”. Se você tem mais de 40, certamente se lembra desse jingle que marcou as décadas de 60 e 70. Puxando um pouco mais pela memória, talvez se lembre também do porquinho que estampava as sacolas dessa rede de supermercados. Naquela época, supermercados, quitandas, armarinhos, farmácias e o comércio em geral tinham um ponto em comum: todos eles utilizavam sacolas de papel como embalagem para seus produtos. Até que um engenheiro sueco, Sten Gustaf Thulin, inventou no começo dos anos 60, um saco com buracos que formavam alças, leve, resistente, barato e, de plástico. Distribuídas gratuitamente, e sendo mais resistentes do que as embalagens de papel, as sacolas plásticas foram gradativamente conquistando e, ao mesmo tempo, emporcalhando o planeta.

No mundo, 4 bilhões de sacolas vão para o lixo todo ano. Amarradas, elas dariam a volta na Terra 63 vezes. Geralmente utilizadas uma única vez – o tempo médio de uso de uma sacola plástica é de 20 minutos, entre o supermercado e a desembalagem das compras – elas são reconhecidas como poluidoras indestrutíveis do meio ambiente.

Mas isso agora pode mudar. Na França, previsto inicialmente para 1° de janeiro de 2016, depois adiado para março, e agora finalmente confirmado para 1° de julho, o comércio estará proibido de oferecer – gratuitamente ou não – sacos plásticos finos, de espessura inferior a 50 micrometros, medida equivalente à milésima parte do milimetro, e que formam a grande maioria dos sacos distribuídos na rede varejista. A partir de 1° de janeiro de 2017, será a vez dos sacos ainda mais finos – geralmente oferecidos para embalar frutas, legumes, peixes e carnes, saírem de circulação. O comércio pode optar por oferecer sacos plásticos de espessura superior à 50 micrometros ou sacolas de papel.

Para implementar uma mudança de hábito, o melhor incentivo ainda é “mexer no bolso”. Na França, o estímulo para reduzir o uso das sacolas plásticas começou em 2003, quando os supermercados deixaram de lado a generosidade e começaram a cobrar entre 3 e 5 centavos de euro por cada sacolinha plástica. O francês, que é tipicamente atento às suas despesas, começou a mudar de atitude e a lançar moda: sacolas de tecido, cestas de vime, sacolas dobráveis que ficam mínimas e podem ser carregadas em bolsas e pastas, voltaram a ser usadas. Até o nosso conhecido “carrinho de feira” ressuscitou em versões coloridas, com alças ergonômicas e até com rodas adaptadas para subir e descer escadas. Quem já passou pela experiência de subir 5, 6 andares sem elevador, o que é bem comum nos prédios antigos de Paris, entende bem do que estou falando.

20 minutos de uso e entre 100 e 400 anos para se decompor na natureza

Essa é mais uma etapa de uma batalha global de combate às embalagens plásticas. No mundo, 4 bilhões vão para o lixo todo ano. Amarradas, elas dariam a volta na Terra 63 vezes. Geralmente utilizadas uma única vez – o tempo médio de uso de uma sacola plástica é de 20 minutos, entre o supermercado e a desembalagem das compras – elas são reconhecidas como poluidoras indestrutíveis do meio ambiente.

Distribuídas à vontade, foram se empilhando e gerando um problema de proporções monumentais a olhos nus na terra. Mas, o problema parece ainda maior no mar. Entre 60% e 70% do lixo no fundo dos oceanos são sacos plásticos. No Mar do Norte, por exemplo, 94% dos pássaros tem um saco plástico no estômago. Ingerido pelos peixes, o plástico entra na cadeia alimentar, engasga e sufoca as tartarugas que confudem os sacos com algas e, afeta no total, 260 espécies da fauna e flora marinha.

Em 2015, a Comissão européia publicou uma diretiva, obrigando os países membros à adotarem medidas para que o consumo individual de sacolas plásticas não ultrapasse 90 sacos por ano. Dados de 2010 indicavam que cada cidadão utilizava já naquela época uma média de 198 sacos por ano.

Difícil falar de sacos plásticos e não pensar nos Estados Unidos e mais precisamente em Nova York. Pois bem, lá também as coisas estão mudando: a prefeitura de Nova York votou agora no início de maio, o fim dos sacos plásticos gratuitos. Foi uma vitória apertada, 28 votos a favor e 20 contra, mas que coloca Nova York ao lado de outras 150 prefeituras americanas que já instituíram o saco pago. A lei implantada em Washington há 6 anos, ja fez reduzir em 60% o uso dos sacos plásticos nas compras.

O Brasil produz 15 bilhões de sacolas plásticas anualmente. Cerca de 1,5 milhão de sacolas são distribuídas por hora!

Recusar, reduzir, reutilizar

 A solução ambiental para as sacolas plásticas depende de uma mudança de hábitos na sociedade: uso consciente, reutilização, correto descarte e uma redução drástica no seu consumo. A primeira atitude é recusar sempre que possível. Adote o uso de sacolas retornáveis. Elas são pequenas e práticas. Caso não seja possível, pois esqueceu de trazer de casa a sua, reduza o consumo. Distribua bem as compras e só pegue a quantidade de que realmente precisa.

Escrito por Marlene Oliveira

Marlene Oliveira

Jornalista, com Master pelo IAG /PUC e Coppead/UFRJ, é profissional de comunicação corporativa, trabalhando para empresas globais. Vive e trabalha em Paris há nove anos.

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Um Comentário

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  1. Já estou adotando há uns quatro anos a recusa de
    sacos plásticos no supermercado. Levo sempre minhas sacolas de palha ou lona.
    Meu problema ainda sem solução é empacotar o lixo caseiro. Nem tudo é possível descartar apenas embrulhando com jornais velho.
    Seria bom buscar solução para isso.
    O Projeto Colabora não poderia colaborar nisso?

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