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Passos sustentáveis

Empresa produz calçados artesanais e ambientalmente corretos há mais de 35 anos

Carlos Henrique Bon, o Caíque, produz 350 pares por mês, junto com dois ajudantes. Foto Renee Rocha
Carlos Henrique Bon, o Caíque, produz 350 pares por mês, junto com dois ajudantes. Foto Renee Rocha

Foi em 1982 que a Caíques deu os primeiros passos. Carlos Henrique Bon estudava educação física, e sua então namorada, Leila, letras. Os dois resolveram se casar, e o futuro sogro, Seu Adhemar, propôs: “Leva ela que eu te ensino meu ofício”. Quem conta a história é o próprio Caíque, que aceitou a oferta e acabou criando, além de uma família, a marca de sapatos artesanais e sustentáveis que chega aos 35 anos sem perder a essência herdada dos modelos, já em 1969, confeccionados com sola de pneus na loja de sapatos sob medida do sogro em Quintino, subúrbio do Rio. A arte de fazer sapatos – que já era passada de geração a geração na família do Seu Adhemar – seguiu seu rumo. Hoje, as duas filhas do casal também trabalham na pequena empresa familiar, ajudando na criação dos modelos e nas vendas, assim como um dos genros, que faz as fotos para o site. E os calçados de retalhos de couro ganharam impulso e decolaram com solado feito a partir de câmaras de pneus de aviões.

Nosso conceito de fazer sapatos é tradicional. A produção é manual, e a mão de obra, humanizada. Somos só eu e dois ajudantes. Fazemos cerca de 350 pares por mês, usando resíduos de couro que arremato de empresas de Nova Hamburgo, no Sul do Brasil, e pneus de avião que compro em Guarulhos

Carlos Henrique Bon
Dono da Caíques

Desacelerando – para contar a história no ritmo de Caíque, cercado de sapatos por todos os lados, na pequena lojinha de fábrica de pouco mais de três metros quadrados no centro de Lumiar, distrito bicho grilo de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio – voltamos ao início da história: depois que aprendeu fazer moldes, trabalhar o couro, colar sola, lixar, montar e pespontar os sapatos, o artesão e a mulher se mudaram para São Pedro da Serra, também em Friburgo. Lá, como tinha que conviver com os problemas de energia decorrentes do nada potente gerador que iluminava o lugar, começou a criar modelos cada vez mais artesanais, que dispensassem grandes tecnologias. Confortáveis, resistentes e de bom gosto, desde o início eles já eram facilmente vendidos.

Os pneus de avião usados nos calçados vêm de Guarulhos. Foto Renee Rocha
Os pneus de avião usados nos calçados vêm de Guarulhos. Foto Renee Rocha

Hoje, a pequena fábrica fica em Friburgo (onde a família mora há dois anos), mas ainda estão lá peças como mesões, prensa, formas, seladoras, máquinas de costura, lixadeiras. A ideia é que a produção seja sustentável e tenha o mínimo de resíduo possível. Tanto que os cortes dos materiais são otimizados de forma a renderem mais produtos.

“Sempre teve uma aceitação boa. A marca foi fidelizando sem ser uma marca. Eram as ‘sandálias do Caíque’. Depois virou ‘Do Caíque’. Agora é só ‘Caiques'”, relembra o idealizador. “Nosso conceito de fazer sapatos é tradicional. A produção é manual, e a mão de obra, humanizada. Somos só eu e dois ajudantes. Fazemos cerca de 350 pares por mês, usando resíduos de couro que arremato de empresas de Nova Hamburgo, no Sul do Brasil, e pneus de avião que compro em Guarulhos”, conta Caíque, entre uma cliente e outra, na lojinha que fica facilmente cheia. Lá, as sandálias saem por R$ 129, e as botinhas por R$ 149. Um pouco mais baratas do que quando compradas pelo site. “Outro dia veio uma menina aqui dizendo que tinha uma sandália minha há 14 anos. ‘Foi minha mãe que pagou. Eu tinha 13 anos. Agora estou com 27 e voltei para ela comprar mais duas para ela pagar para mim’, disse ela.”

Agora, a família conta com um site para vendas fora do Brasil. Na apresentação da marca, está a ideia de que sapatos e sustentabilidade podem andar lado a lado.  “Uma amiga de infância está nos Estados Unidos cuidando das coisas por lá. A gente mantém um estoque, e vai repondo à medida que vende”, conta Iasmine, grávida de Rosa. Candidata a herdeira desse legado.

Escrito por Paula Autran e Reneé Rocha

Paula Autran e Reneé Rocha

Paula Autran e Reneé Rocha se completam. No trabalho e na vida. Juntos, têm umas quatro décadas de jornalismo. Ela, no texto, trabalhou no Globo por 17 anos, depois de passar por Jornal do Brasil, O Dia e Revista Veja, sempre cobrindo a cidade do Rio. Ele, nas imagens (paradas ou em movimento), há 20 anos bate ponto no Globo. O melhor desta parceria nasceu em novembro passado. Chama-se Pedro, e veio fazer par com a irmã, Maria.

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