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A batalha do cigarro nos EUA

Campanha sobre taxação a cigarros eletrônicos movimenta US$ 100 milhões

Os cigarros eletrônicos são, basicamente um dispositivo movido à bateria, que simula a experiência de um cigarro comum. Foto Alice S./BSIP
Os cigarros eletrônicos são, basicamente um dispositivo movido à bateria, que simula a experiência de um cigarro comum. Foto Alice S./BSIP

Nesta terça, quando os americanos vão às urnas para decidir entre Hillary Clinton e Donald Trump, eleitores de 34 estados votarão também em 135 consultas populares sobre temas que vão desde o consumo recreativo de maconha até o aumento do salário mínimo regional. O uso da maconha é o mais polêmico e o mais popular de todos eles – nove estados terão consultas sobre o assunto – mas não tem a campanha mais cara. A batalha pelo aumento da taxação sobre cigarros – e, particularmente, sobre os cigarros eletrônicos – mobiliza, só na Califórnia, mais de US$ 100 milhões.

De acordo com o New York Times, a indústria do tabaco já gastou pelo menos US$ 70 milhões de dólares só em anúncios para derrotar a Proposição 56, que aumenta o preço do maço de cigarro em U$ 2 (de U$ 6 para U$ 8) e, pela primeira vez, taxará os chamados cigarros eletrônicos (e-cigarretes) como qualquer outro produto de tabaco. E é essa a prioridade tanto dos fabricantes, que vem investindo pesadamente nesse mercado, quanto dos organizadores da campanha Yes on 56 (Sim a 56) que levantou mais de US$ 35 milhões de entidades ligados à área da saúde – de hospitais particulares a ONGs – para defender a taxação.

De acordo com o New York Times, a indústria do tabaco já gastou pelo menos US$ 70 milhões de dólares só em anúncios para derrotar a Proposição 56, que aumenta o preço do maço de cigarro em U$ 2 (de U$ 6 para U$ 8) e, pela primeira vez, taxará os chamados cigarros eletrônicos (e-cigarretes) como qualquer outro produto de tabaco.

No centro da batalha estão os cigarros eletrônicos, basicamente um dispositivo movido à bateria, que simula a experiência de um cigarro comum, aparentemente com menos riscos à saúde por conter apenas vapores de nicotina – sem o alcatrão e outras centenas de substâncias nocivas do cigarro.  Atualmente, a maioria dos e-cigarros tem aparência semelhante à de uma caneta e baterias de longa duração, que podem ser recarregadas. Nos Estados Unidos, são chamadas também de canetas de vapor – principalmente pelos pioneiros de pequenas lojas que começaram a vender os cigarros eletrônicos.

Nesta batalha eleitoral, a indústria do tabaco vem atacando com acusações ao governo da Califórnia, que estaria interessado apenas em arrecadar mais, e defendendo que não é justo taxar o e-cigarro da mesma forma que os cigarros tradicionais. As organizações de saúde contra-atacam com o argumento que o produto eletrônico é baseado em nicotina, substância comprovadamente viciante e relacionada a doenças pulmonares e cardiovasculares, ao aumento do risco de aborto espontâneo e parto prematuro, entre outras ameaças à saúde.

A polêmica do cigarro eletrônico está avançando nos Estados Unidos na mesma escalada de seu consumo, impulsionado pelo investimento da grande indústria do tabaco – a R.J.Reynolds e a Phillip Morris são os principais fabricantes e os maiores financiadores da campanha contra a Proposição 56.  Em 17 estados americanos, foram discutidas leis para taxar o cigarro eletrônico este ano, mas só Pensilvânia e West Virginia aprovaram legislação nesse sentido. Em North Dakota, também há consulta popular paralela à eleição presidencial sobre a taxação dos cigarros eletrônicos como outros produtos de tabaco.

No Brasil, a fabricação, venda e importação de cigarros eletrônicos estão proibidas desde 2009 pela Anvisa apesar de não haver punição para o consumo. Além dos Estados Unidos, países como Portugal, França e Itália produzem e permitem consumo dos cigarros eletrônicos que, entretanto, são proibidos também na Áustria, na Argentina e no Canadá. Na Austrália, na Dinamarca e na Bélgica, só é permitida a venda de cigarros eletrônicos sem nicotina.

Estado americano mais populoso, a Califórnia, tradicional reduto democrata, influencia o resto do país. Hilary Clinton é franca favorita no estado. Mas a população vai ser consultada também sobre o fim da pena de morte, o aumento do controle sobre a venda de armas, a liberação do uso recreativo de maconha para maiores de 21 anos e sobre a taxação de cigarros – todos com resultados mais imprevisíveis.

Escrito por Oscar Valporto

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica croniquetas semanais sobre suas andanças pela cidade.

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