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Barcelona cria restrições aos carros antigos

Veículos com mais de vinte de anos de fabricação não poderão circular nos dias úteis

Pare: carros com mais de 20 anos não poderão circular nas ruas de Barcelona, nos dias úteis. Foto: Pixabay

Carros com mais de 20 anos terão vida mais difícil nas ruas de Barcelona, na Espanha. A partir de 1º de janeiro de 2019, nos dias úteis, eles serão proibidos de circular. O objetivo é reduzir, em cerca de 30%, as emissões de gases poluentes na cidade. A medida, que tem o apoio das autoridades locais e do governo da Catalunha, pretender tirar de circulação os veículos com registo anterior a janeiro de 1997 e as vans fabricadas antes de outubro de 1994.

A baixa qualidade do ar respirado em Barcelona é responsável pela morte prematura de cerca de 3500 pessoas por ano

Apesar de a medida só entrar em vigor em 2019, uma pequena amostra será posta em prática já no final deste ano. Todos os veículos com mais de duas décadas de vida serão impedidos de entrar na cidade em épocas consideradas críticas em termos de poluição atmosférica. Segundo os dados oficiais, cerca de 106 mil carros serão afetados pela iniciativa, o que equivale a 7% dos automóveis que circulam diariamente pelas ruas da capital da Catalunha.

Policial proíbe a entrada de uma moto no centro de Barcelona no dia mundial sem carro. Foto Eric Cabanis/AFP
Policial proíbe a entrada de uma moto no centro de Barcelona, no Dia Mundial Sem Carro. Foto: Eric Cabanis/AFP

A baixa qualidade do ar respirado em Barcelona é responsável pela morte prematura de cerca de 3500 pessoas por ano. Os responsáveis pela secretaria da mobilidade, anunciaram também a gratuidade nos transportes públicos para quem deixar o carro em casa nos deslocamentos diários até o centro da cidade.

Outras metrópoles

Mas não foi só Barcelona que escolheu os carros antigos como vilões na luta pela redução da poluição atmosférica. Em Paris, os veículos fabricados antes de 1997 e motos anteriores a 1999 já são proibidos de circular na área conhecida como “Paris intramuros”. Esta medida vale para dias e horários específicos: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. A nova lei tirou assim de circulação 10 mil dos 600 mil automóveis que circulavam diariamente pela capital francesa.

Imagem noturna do trânsito intenso na tradicional Champs Elysees, em Paris. Foto de Philippe Lopez/AFP
Imagem noturna do trânsito intenso na tradicional Champs Elysees, em Paris. Foto de Philippe Lopez/AFP

Em Lisboa, capital de Portugal, existem restrições de circulação para os carros fabricados antes de 2000. Eles fazem parte da chamada zona 1, que vai do eixo da Avenida da Liberdade à Baixa Lisboeta. Já os carros anteriores a 1996 não podem circular na chamada zona 2. Os resultados já atingidos na zona 2, entre 2011 e 2012, foram positivos para o ambiente, como a redução de emissões em 20 por cento, no caso das partículas, e oito por cento no caso do dióxido de nitrogênio.

Em vários  países da Europa existe um esforço para melhorar o trânsito e reduzir as emissões. As medidas vão desde a criação de novas áreas para pedestres até a redução no número de estacionamentos públicos próximos aos grandes centros. Conheça alguns exemplos:

Espanha: Em Madri, a Prefeitura lançou um Plano de Mobilidade, válido até 2020, que pretende restringir a capacidade de circulação dos carros e o número de estacionamentos. O objetivo é aumentar o preço dos parquímetros e limitar a duas horas o tempo máximo de permanência. Além de aumentar em 25% as áreas para pedestres, multiplicar as faixas de ônibus e criar três novas zonas onde somente os moradores terão acesso.

Alemanha: Desde 2008, é preciso ter uma placa de identificação para entrar na chamada Zona Ambiental. No caso de Berlim, esta área se encontra dentro do anel que delimita o centro. Os veículos sem placa ambiental que circulam pela zona restrita são multados em 40 euros e perdem um ponto na carteira de motorista. O adesivo necessário para transitar pela área restrita custa 6 euros, para veículos alemães, e 12,5 euros, para os estrangeiros.

Itália: Os centros antigos das principais cidades tiveram seu acesso restringido, com o objetivo de preservar o patrimônio histórico. A área é chamada de Zona de Tráfego Limitado, onde só podem entrar os veículos com permissões especiais, geralmente dadas aos moradores, pessoas que trabalham na área e hóspedes de hotéis.

Grécia: Desde 1982, o trânsito de automóveis é restrito na área central de Atenas. O objetivo principal da medida foi diminuir os altos níveis de poluição do ar, produzidos pelo enorme congestionamento do trânsito naquela época e pelas condições meteorológicas do vale no qual se situa a cidade.

Reino Unido: Para lidar com o tráfego no centro, Londres aplica a taxa de congestionamento, um imposto cobrado dos veículos motorizados que operam dentro da chamada Zona de Pedágio, no centro da cidade. Os finais de semana, feriados e o período entre o Natal e o Ano Novo não são cobrados. A cobrança padrão é de 14,6 euros, por dia, para cada veículo que entrar nessa área, com uma multa que varia de 82 a 247 euros para quem não pagar.

Suécia: Estocolmo foi a pioneira no estabelecimento de uma zona de tráfego limitada em 1996. Desde agosto de 2007, depois de um referendo com sua população, todas as entradas e as saídas da área de tráfego limitado estão equipadas com pontos de controle automáticos que funcionam com um sistema de reconhecimento do número da placa. Todos os veículos que entram ou saem da área de pagamento, com poucas exceções, têm que pagar entre 1 e 2 euros sobre o horário de acesso, entre 6h30 e 18h29. O pagamento máximo diário por veículo é de 6 euros. Existe ainda o Imposto de congestionamento de Estocolmo, que é um sistema de pedágios urbanos que busca reduzir o congestionamento do trânsito e diminuir a poluição ambiental no centro da cidade.

Escrito por Antonio Carlos Duarte

Antonio Carlos Duarte

É jornalista esportivo desde 1987 com passagens por algumas das principais rádios do Rio de Janeiro, como Globo, CBN e Tupi. Teve passagens também pelas rádios Tamoio e Brasil. Em Portugal, trabalhou nas rádios Cidade e Miramar. Atualmente é repórter esportivo da Bradesco Esportes FM e colaborador do jornal Record de Portugal

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