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As novas cores da Casa Branca

Trump abandona o verde, investe na economia marrom e se cerca de auxiliares brancos e ricos

Donald Trump, 45º presidente dos EUA, durante o seu discurso de posse. Foto de Jim Watson/AFP
Donald Trump, 45º presidente dos EUA, durante o seu discurso de posse. Foto de Jim Watson/AFP

(Com AFP) – O rompimento com o verde já era esperado, e não demorou muito para acontecer. Na verdade, não demorou nada. Antes mesmo da posse de Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos, a expressão “mudança climática” já havia sido retirada do site da Casa Branca. Junto com ela foram todos os projetos de combate ao aquecimento global do governo Barack Obama. Assim como as páginas com menções a gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.

Desde que Trump foi eleito, pesquisadores de universidades do mundo todo têm se mobilizado para salvar e armazenar informações que hoje estão em bancos de dados de organizações governamentais como a Agência de Proteção Ambiental, a NASA e a NOAA

O novo site da Casa Branca fala em “regulamentos onerosos” para a indústria de energia dos EUA, e diz que o governo que se inicia está comprometido “com a eliminação de políticas nocivas e desnecessárias, como o Plano de Ação Climática”. E argumenta, sem explicar como, que “retirar essas restrições ajudará muito os trabalhadores americanos, aumentando os salários em mais de 30 bilhões de dólares nos próximos 7 anos”. O projeto climático de Obama propunha cortes nas emissões de dióxido de carbono do país através da preservação das florestas e do incentivo à produção de energias renováveis.

Os esforços de Trump para impulsionar o setor de carvão, petróleo e gás nos EUA, também conhecido como economia marrom, ajudaria, segundo o texto do novo site, a aumentar as receitas do governo para “reconstruir estradas, escolas, pontes e infraestrutura pública”.

Mudar o site da Casa Branca, tornando-o menos verde ou mais marrom não é uma ação necessariamente grave. No entanto, cientistas ligados ao tema temem o que pode vir a seguir. De acordo com o The New York Times, desde que Trump foi eleito, pesquisadores de universidades do mundo todo têm se mobilizado para salvar e armazenar informações que hoje estão em bancos de dados de organizações governamentais como a Agência de Proteção Ambiental, a NASA e a NOAA (National Oceanic & Atmospheric Administration).

Boneco com a imagem de Trump é queimado no México em protesto contra a posse do presidente. Foto de Pedro Pardo
Boneco com a imagem de Trump é queimado no México em protesto contra a posse do presidente. Foto de Pedro Pardo

O que assusta os especialistas é que a apesar de contar uma maioria republicana no Congresso, Trump não precisa dela para promover mudanças importantes no cenário ambiental mundial. Em 2012, o magnata declarou que as mudanças climáticas eram uma “farsa” criada pelos chineses para prejudicar a competitividade das indústrias americanas. Um dos principais compromissos de Trump durante a campanha foi o de “cancelar” o Acordo de Paris, assinado por 180 países. Porém, sua escolha para secretário de Estado, Rex Tillerson, disse durante as audiências de confirmação, neste mês, que achava importante que os Estados Unidos permanecessem na mesa de discussões.

Espera-se também que Trump pare de fazer repasses ao Fundo Verde do Clima, que conta com os Estados Unidos para ajudar os países mais pobres do mundo a lidar com as mudanças climáticas. Na última terça-feira, dia 17, o Departamento de Estado anunciou seu segundo pagamento de US$ 500 milhões para o fundo, como parte de uma promessa de US$ 3 bilhões feita em 2014. Este foi o último de uma série de movimentos feitos pelo governo Obama em suas últimas semanas para preservar as proteções ambientais, incluindo o bloqueio de novas concessões para perfuração de petróleo e gás no Ártico e no Atlântico.

Se a política americana está mais nebulosa e menos verde e a economia tende a ficar marrom, os gabinetes em Washington tornaram-se mais brancos, ricos e masculinos, como mostra a reportagem do El País Brasil. A nação que foi governada por um negro durante oito anos e que sonhava com uma mulher na presidência, agora terá o comando menos diversificado e mais elitista das últimas décadas. Somente duas mulheres têm cargo de ministras em sua equipe, e nenhuma de suas pastas está entre as principais, assim como a que ficará a cargo do único afro-americano no governo. Pela primeira vez desde 1988, não existirá um só hispânico no gabinete. Boa parte dos novos dirigentes são multimilionários.

Um Comentário

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  1. A America ainda sonha com uma presidente e vai tê-la um dia. O problema é q o partido democrata tentou enfiar goela abaixo dos eleitores a popstar queridinha da Wall Street e Silicon Valley, e pseudo-esquerda, pro-guerra e funcionária das oligarquias Hillary Clinton. Não existe partido q representa progressistas mais nos EUA. O duopólio imperialista Democrata-Relublicano agora tem ambos os lados muito mais próximos um do outro do que em toda sua história. As diferenças são poucas e apenas em certas questões sociais, como “apoio” mixuruca às causas LGBTQ e preservação do direito ao aborto. No resto, apenas sai figurão um imperialista elegante e entra um falastrão mais velho e mais arrogante ainda. Esta é apenas minha visão, e reflete apenas minha humilde percepção, nunca uma única verdade sobre o assunto.

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