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Lagoa sem cartazes contra a violência

Moradores pedem retirada de placas e só aceitam expor nome de vítima morta na ciclovia

Os cartazes que foram retirados traziam nomes de crianças vítimas de balas perdidas e de policiais mortos enquanto trabalhavam
Os cartazes que foram retirados traziam nomes de crianças vítimas de balas perdidas e de policiais mortos enquanto trabalhavam

Pressionado por moradores da Lagoa, Heitor Wegmann, subprefeito da Zona Sul, mandou a Comlurb, a um mês do início das Olimpíadas, retirar da grade e da mureta que ficam na altura da Curva do Calombo cartazes contra a violência que estampavam nomes de vítimas que não foram mortas no bairro.

Segundo a subprefeitura, os autores da reivindicação aceitaram manter no local apenas uma bicicleta e um cartaz que homenageiam o médico Jaime Gold, morador de Ipanema que, em maio do ano passado, morreu depois de ser esfaqueado quando pedalava por aquele trecho da ciclovia.

As referências às pessoas que foram assassinadas em outros locais da cidade e do estado foram removidas pelos garis na noite de segunda-feira.

Apenas uma bicicleta e um cartaz que homenageiam o médico Jaime Gold, morto no ano passado, permanecem no local
Apenas uma bicicleta e um cartaz que homenageiam o médico Jaime Gold, morto no ano passado, permanecem no local

Feitos com cartolina preta, 71 cartazes traziam nomes de crianças vítimas de balas perdidas e de policiais mortos enquanto trabalhavam. Algumas outras placas, que também foram retiradas, estampavam estatísticas oficiais de violência.

Na grade ainda há pedaços de adesivos que eram usados para prender os avisos.

Os cartazes começaram a ser afixados em maio do ano passado pela ONG Rio de Paz, responsável também pela colocação da bicicleta. Fundador da entidade, Antônio Carlos Costa foi informado da retirada pelo ‘#Colabora’ e classificou a medida de “falta de sensibilidade”.

Ele afirmou que não havia pedido autorização à prefeitura para expor os cartazes, mas ressaltou que nunca recebera qualquer reclamação. Segundo Costa, moradores, garis e policiais zelavam pela exposição. “Como sempre fizemos questão de ressaltar as mortes de policiais, seus colegas respeitam muito o nosso trabalho”, frisou.

O responsável pela ONG afirmou ainda que a instituição não abrirá mão de expor dados sobre a violência em algum ponto da cidade. “É preciso constranger o poder público”, ressaltou.

Escrito por Fernando Molica

Fernando Molica

É carioca, jornalista e escritor. Trabalhou na 'Folha de S.Paulo', 'O Estado de S.Paulo', 'O Globo', TV Globo e 'O Dia'; coordenou o MBA em Jornalismo Investigativo e Realidade Brasileira da Fundação Getúlio Vargas. É ganhador de dois prêmios Vladimir Herzog e integrou a equipe vencedora do Prêmio Embratel de 2015. Lançou, este ano, o romance 'Uma selfie com Lenin'.

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