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O jogo do contente

Aprenda como escapar de uma treta nas redes sociais

Assim como em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, as reverências no Facebook são a escolha mais prudente. Foto Leo Aversa
Assim como em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, as reverências no Facebook são a escolha mais prudente. Foto: Leo Aversa

Segundo especialistas em internet e comunicação, ou seja, quase toda a torcida do Flamengo, o grande problema das redes sociais é a agressividade desmedida, a cólera, a animosidade, o rancor. Resumindo num gíria curta, a treta.

Como ficar a salvo dessa fúria online?

Quando um narcisista, ou seja, quase toda a torcida do Corinthians, posta um comentário, um texto, uma foto,  quer aplausos, ovações, aclamação. Não importa se é uma foto na academia: #vemmonstro, #nopainnogain, #vidasaudavel;  passeando no central park:  #newyorkcityfeelings, #amoviajar, #bestplacestogo; ou reclamando do governo: #mudabrasil, #foracorruptos, #acordabrasil.

Mas, se por descuido ou sincericídio, você escrever “tá precisando”, na foto da academia, “já fui cem vezes”, na do Central Park ou “só agora?”, no post contra o governo, aí você vai enfrentar uma treta, a ira de narciso, que é coisa pior que praga de mãe ou delação de empreiteira

Mas a autocelebração exige uma claque. E se você não quiser despertar a ira do pavão, tem que entrar e aplaudir com vontade. Se comentar, tem que ser algo assim: “Caramba, tá muito magro!”, “Minha maior vontade é conhecer o Central Park!” ou “É isso aí, você me representa!”. São essas opiniões que vão tornar o vaidoso seu melhor amigo da última semana. Se salpicar as observações com a palavras “inveja” e “mito” o amigo vai te colocar na lista vip forever. A admiração dos outros está para ele como a pedrinha para o cracudo ou a propina para o PMDB, um não vive sem o outro.

Mas, se por descuido ou sincericídio, você escrever “tá precisando”, na foto da academia, “já fui cem vezes”, na do Central Park ou “só agora?”, no post contra o governo, aí você vai enfrentar uma treta, a ira de narciso, que é coisa pior que praga de mãe ou delação de empreiteira. O sujeito já não tolera críticas no tête-à-tête, o que dirá ali no alto do carro alegórico, com todo mundo olhando. Ele não só vai te xingar até a décima geração como vai convocar todos os seus minions para te perseguir até no stories do Instagram. Não basta o cara estar tinindo no post ou na foto, a caixa de comentários também precisa ser imaculada e ele não vai permitir que ninguém estrague isso. Treta à vista.

Para evitar, melhor assim:

Textão de autoajuda plagiado de um sub-Paulo Coelho? Like, é claro. Post pueril e constrangedor reclamando dos “políticos”? Vamos curtir. Foto pseudo irônica tirando onda em frente à Torre Eiffel? Melhor compartilhar. Para não estragar a festa tem que bater palmas pros malucos dançarem.

E atenção, nada de bancar o engraçadinho ou espirituoso nos comentários. Isso também vai ser tomado como uma ofensa pessoal, a louvação tem que ser clara, literal e direta. Sarcasmo tá liberado, um marrento autêntico jamais vai desconfiar de elogios hiperbólicos no post com uma “reflexão” sobre a condição humana. Assim como para quem só tem martelo tudo é prego, pra quem vive de elogio tudo é fã.

Seguindo esses conselhos, você tem 90% de chance de escapar das tretas, mesmo estando na torcida do Flamengo ou do Corinthians.

Mas para garantir 100%, só dando like, elogiando e compartilhando este texto.

Escrito por Leo Aversa

Leo Aversa

Leo Aversa fotografa profissionalmente desde 1988, tendo ganho alguns prêmios e perdido vários outros. É formado em jornalismo pela ECO/UFRJ mas não faz ideia de onde guardou o diploma. Sua especialidade em fotografia é o retrato, onde pode exercer seu particular talento como domador de leões e encantador de serpentes, mas também gosta de fotografar viagens, especialmente lugares exóticos e perigosos como Somália, Coréia do Norte e Beto Carrero World. É tricolor, hipocondríaco e pai do Martín.

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